Trabalhadores falam no parlamento em “assédio moral” nos CTT

21 Dez 2017 / 17:15 H.

Os representantes dos trabalhadores dos CTT - Correios de Portugal criticaram hoje, no parlamento, a anunciada saída de 800 funcionários, quando já há falta de pessoal, e disseram que se vive um clima de “assédio moral” na empresa.

Os deputados da comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social ouviram hoje os representantes dos trabalhadores dos CTT sobre a situação laboral na empresa, perante o anúncio de saída de cerca de 800 trabalhadores em três anos, no âmbito do plano de reestruturação.

Segundo José Rosário, da Comissão de Trabalhadores, hoje a “área operacional [dos CTT] já está muito desfalcada de trabalhadores”, pelo que a anunciada saída de centenas de funcionários irá “afetar negativamente a já má qualidade do serviço” prestado.

Questionado sobre a situação que se vive nos CTT, o porta-voz da Comissão de Trabalhadores (CT) afirmou que a “empresa tem usado os horários de trabalho como arma de arremesso contra os trabalhadores” e indicou que a empresa tem um “serviço interno de inspeções” que usa contra os funcionários, através da “ameaça de procedimento disciplinar.

José Rosário disse que para cumprirem as tarefas dadas e evitarem processos, “os trabalhadores são obrigados a trabalhar mais uma, duas, três horas por dia e de forma sistemática”.

Também José Arsénio, secretário-geral do Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Telecomunicações e dos Media (Sindetelco, ligado à UGT), considerou que hoje que “se vive assédio moral nos correios”.

Sobre a carga horária, afirmou ser normal os carteiros trabalharem horas depois do seu horário para conseguirem cumprir a entrega de toda a correspondência que lhes é dada.

“Se virem um carteiro a distribuir cartas depois das 15:00 é porque está a trabalhar gratuitamente”, avisou o sindicalista, que considerou ainda que atrasos na entrega de correspondência é “um dia normal nos correios” devido à falta de trabalhadores e criticou o modo como o regulador das telecomunicações Anacom faz o controlo do sistema de correio, acusando de não ser eficaz.

Já José Oliveira, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (ligado à CGTP), afirmou que sairão dos correios mais trabalhadores do que os que têm sido falados.

“O que nos foi dito foi [que sairão] entre 700 e 800 trabalhadores, além das saídas naturais”, disse José Oliveira.

Outro sindicalista lançou mesmo um repto aos deputados, de que ajudem a que o Estado não termine com as notificações via postal, afirmando que se o Estado passar a fazê-las por via eletrónica serão muitos mais os trabalhadores despedidos.

Na terça-feira os CTT, que empregam 12 mil trabalhadores, dos quais cerca de sete mil são da área operacional (rede de transportes, distribuição e carteiros), divulgaram um plano de reestruturação que prevê a redução de cerca de 800 postos de trabalho nas operações da empresa ao longo de três anos, devido à queda do tráfego do correio.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, a Comissão Executiva dos CTT informou os representantes dos trabalhadores de que pretende reduzir o número de trabalhadores, entre 600 e 700, durante os próximos três anos, com especial incidência em 2019 e 2020.

Quanto a mais informações sobre o que os CTT esperam fazer, essas deverão ser dadas na reunião entre a CT dos CTT e a administração marcada para 27 de dezembro.

Os trabalhadores dos CTT estão hoje em greve, tendo a empresa indicado à Lusa que, pelas 12:00, a adesão à greve é de 17%, encontrando-se apenas encerradas duas lojas, na Madeira e em Óbidos, das mais de 600 que há no país.

Já sindicato aponta para uma adesão de 80% nos turnos da noite.

Depois dos representantes dos trabalhadores, os deputados estão agora a ouvir a administração dos CTT sobre a situação laboral na empresa.

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