Todos devem seguir instruções das autoridades

Primeiro-ministro lança alerta a propósito dos incêndios

18 Jun 2017 / 22:56 H.

O primeiro-ministro apelou hoje a todos os cidadãos nas áreas afetadas por incêndios que cumpram as ordens das autoridades, nomeadamente de evacuação, e afirmou que a maioria das vítimas já identificadas no fogo de Pedrogão Grande morreu em casa.

“Quero chamar a atenção que a maioria das pessoas que faleceu, e que já estão identificadas, não foram vítimas nos carros, foram vitimadas nas casas que não tiveram oportunidade de abandonar a tempo”, afirmou António Costa, em declarações aos jornalistas, em Alvares, freguesia do concelho de Góis (Coimbra), também atingido por um incêndio violento e no final de uma visita aos municípios mais afetados.

Por isso, apelou o primeiro-ministro, “quando as autoridades fazem apelos de evacuação é essencial que sejam cumpridos”.

No final de uma visita que efetuou hoje à tarde aos concelhos de Pedrogão Grande, Castanheira da Serra, Figueiró dos Vinhos e de ter contactado com o presidente de Câmara da Pampilhosa da Serra, António Costa disse que esta deslocação serviu para fazer a avaliação da situação no terreno, quer dos meios de combate aos incêndios, quer do que vai ser preciso fazer para a reconstrução destes territórios.

“No conjunto do país temos vários incêndios, mas a situação dramática que se viveu em Pedrogão não tem paralelo, é uma situação única. Temos de evitar a todo o custo repetir, por isso é que é essencial que sigam as instruções das autoridades”, reforçou.

“Infelizmente, conforme as horas vão passando vamos confirmando que estamos perante a maior tragédia humana de sempre, neste momento 61 mortos, e temos fortes probabilidades conforme for sendo feito o trabalho de identificação que o número de vítimas seja superior a este”, acrescentou.

António Costa disse que a descrição que lhe foi feita pelos autarcas da região lhe permitiu compreender melhor o que ocorreu e apelou a que, posteriormente, as razões na base deste incêndio sejam devidamente “estudadas e compreendidas”.

“É uma tragédia que teremos de compreender bem no devido momento, tenho confiança na Polícia Judiciária, no Instituto de Medicina Legal e toda a comunidade cientifica portuguesa. O país tem o direito a saber como aconteceu esta tragédia”, defendeu.

António Costa reiterou que existem vários centros operacionais da Segurança Social a funcionar no terreno para responder às necessidades de alojamento e repetiu que os estabelecimentos de ensino de Pedrogão, Figueiró e Castanheira estarão encerrados por tempo indeterminado.

O primeiro-ministro lembrou que os alunos residentes nestes concelhos bem como os bombeiros de serviço estão dispensados de realizar provas de exame e aferição na próxima semana, que serão posteriormente remarcados pelo Ministério da Educação.

António Costa adiantou ainda que irá ser criada na Proteção Civil uma linha para que as pessoas possam dar conta dos desaparecidos, salientando que a linha até agora criada – número 144 – responde apenas a necessidades de alojamento.

Questionado se teme que o incêndio que começou em Pedrogão Grande se junte ao de Góis, que lavra também desde a tarde de sábado, António Costa manifestou a sua confiança nos meios no terreno, mas alertou para as condições adversas.

“O vento a aumentar, a temperatura que não está a baixar, a humidade que não está a subir, criam condições adversas para os que estão a enfrentar o fogo”, lamentou.

O primeiro-ministro sublinhou que testemunhou no terreno “a forma única” como os profissionais e os voluntários se têm dedicado “de alma e coração” à tarefa de proteger pessoas, bens e floresta.

“O país partilha todo um imenso sentimento de luto nacional e um grande sentido de unidade, isso deve-nos regozijar enquanto portugueses”, disse, salientando igualmente a grande solidariedade internacional.

O primeiro-ministro alertou ainda que, passada esta fase de combate, o país irá enfrentar outra mais dolorosa, a fase do luto.

“Nesse momento temos todos de nos curvar no grande respeito pelas famílias, colegas, vizinhos que perderam pessoas”, apelou.

O último balanço dá conta de 61 mortos civis e 62 feridos, dois deles em estado grave. Entre os operacionais, registam-se dez feridos, quatro deles em estado grave. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre hoje e terça-feira.