Sector leiteiro do Pico ganha nova fábrica, depois de ter estado à beira da insolvência

05 Out 2017 / 17:13 H.

O sector leiteiro na ilha do Pico, nos Açores, ganhou hoje “nova vitalidade”, com a inauguração das obras de remodelação da fábrica de lacticínios, no valor de 1,6 milhões de euros, que permitiram ultrapassar uma das “crises” mais graves da sua história, que quase terminou em insolvência.

Isso mesmo recordou Jorge Pereira, presidente da direcção da cooperativa “Leite da Montanha” (antiga LactoPico), durante a cerimónia de inauguração das novas instalações, no lugar da Silveira, Lajes do Pico, que no seu entender, vão permitir garantir sustentabilidade na produção e produzir produtos de qualidade.

“Hoje, temos uma das fábricas mais versáteis dos Açores, que nos permite produzir diversos tipos de queijo, barra, bola, prato, ilha, com diversos tamanhos e pesos”, explicou o administrador da maior unidade fabril de lacticínios do Pico, recordando, porém, que quando entrou para a direcção, a situação era insustentável.

Jorge Pereira lembrou que o sector leiteiro passou por várias crises, desde o encerramento da Martins e Rebello, passando pela parceria falhada entre a LactoPico e a Oliveira de Azeméis, que afastou mais de metade dos cerca de 300 produtores de leite que existiam na ilha.

“Os pouco mais de 60 produtores que ainda resistiam, encontravam-se em situação de desespero, com cerca de 10 meses de leite por receber - no valor de um milhão de euros - a cooperativa não tinha credibilidade perante nenhum fornecedor, e na banca havia três milhões de euros para pagar”, lembrou o administrador, acrescentando que, apesar do “inferno” que viveu, conseguiu avançar com um processo especial de revitalização e escapar à insolvência “por uma unha negra”.

Segundo o dirigente, a situação financeira da cooperativa “Leite da Montanha” melhorou substancialmente, depois de assegurada a parceria com o Governo dos Açores, a LactAçores e a Caixa de Crédito Agrícola, que permitiu pagar a quase a totalidade das antigas dívidas aos produtores e repor o pagamento a fornecedores, trabalhadores e produtores, a 60 dias.

Para Jorge Pereira, o desafio que se segue, passa pela valorização do produto, e pelo aumento do preço do leite pago ao produtor, que subiu dois cêntimos por litro a partir de 1 de outubro, mas que, na sua opinião, ainda continua “muito abaixo do preço médio” nos Açores.

“Por isso, lanço o repto ao senhor secretário regional e ao senhor presidente do Governo, para que a medida do POSEI, destinada ao pagamento de produtos lácteos, seja revista”, sublinhou o administrador da Leite da Montanha, defendendo que em vez do valor dos subsídios ser igual para todos os produtores da região, passe a ser distribuído tendo em conta os custos de produção nas ilhas mais pequenas.

Sem responder directamente ao repto lançado por Jorge Pereira, o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, também sublinhou a necessidade de se investir agora na “valorização do produto” da nova fábrica da cooperativa de lacticínios do Pico.

O chefe do executivo fez questão de lembrar, no entanto, que o sector viveu muitas “lutas, desafios e contrariedades”, mas que apesar disso, soube ultrapassá-las, com a ajuda do executivo açoriano, culminando agora com a inauguração das remodeladas instalações da Leite da Montanha.

“O pior erro que podia ser cometido nesta circunstância era, da parte de todos os envolvidos (Governo, produtores e indústria), julgar que está resolvida a situação do sector leiteiro na ilha do Pico. Isso seria um erro dramático”, alertou Vasco Cordeiro, lembrando que existem ainda “muitos e grandes desafios” pela frente.

No seu entender, é necessário agora aumentar a produção de leite no Pico, de forma a garantir a viabilidade da produção, e investir também na “valorização” do produto final.