Risco de não dar vacina do sarampo “é muito maior”, diz especialista

19 Abr 2017 / 14:42 H.

O especialista em Saúde Pública Mário Durval defendeu hoje que, mesmo que houvesse algum problema relacionado com a vacina contra o sarampo, “o risco de não dar é muito maior”, sendo a vacinação a “opção correta”.

A vacinação é “a opção correta, aliás, a vacina tem sido dada a milhões de portugueses, a milhões de crianças e não há notícias de problemas”, disse Mário Durval, comentando a situação atual em Portugal, com 21 casos de sarampo confirmados desde janeiro de 2017, e a morte de uma jovem com a doença.

Sobre eventuais riscos da vacinação, respondeu que, “mesmo que houvesse algum risco, o risco de não dar [a vacina] é muito maior”, salientando que “não há nada que não tenha risco”.

Uma jovem de 17 anos, que não estava vacinada, morreu hoje com sarampo no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), desde janeiro de 2017 e até hoje foram confirmados 21 casos de sarampo em Portugal, havendo outros 18 casos em investigação.

Questionado pela Lusa acerca das preocupações que lhe suscitam estes casos, o antigo presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública referiu “a existência de algumas crianças que não estão vacinadas e, portanto, podem contrair a doença, e em particular porque existem bolsas mais ou menos localizadas e pode haver contágios”.

No entanto, “tirando isso, não haverá certamente uma magnitude muito grande do problema”, acrescentou.

O especialista explicou que a esmagadora maioria das pessoas com 40 anos estão vacinadas e aquelas com mais de 40 anos “tiveram quase todos sarampo”, portanto já não terão outra vez.

Mário Durval defendeu que os serviços públicos de saúde têm as estruturas de vacinação e é através delas que devem chegar aos pais, nomeadamente para informá-los e esclarecer todas as dúvidas.

“É evidente que, se houvesse aquilo que eu proponho que são as equipas de família em que há médicos e enfermeiros para ‘x’ pessoas, era muito mais fácil”, realçou.

Acerca das regras existentes relacionadas com a obrigatoriedade de ministrar as vacinas, o especialista apontou que, “eventualmente, poderia haver uma legislação mais apertada do ponto de vista de responsabilizar os pais em caso de doença dos filhos por falta de vacinação, mas não é esse o caso ou, pelo menos, não se vislumbra ainda essa situação”.

O sarampo é uma doença geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal.

Pelo menos 14 países europeus têm registado surtos de sarampo desde o início deste ano, com a Roménia a liderar o número de casos, com mais de quatro mil doentes em seis meses.

De acordo com o diretor-geral da Saúde, Francisco George, a Itália acaba de notificar 1.500 casos, 10% em enfermeiros e médicos, mas em 90% as pessoas a quem foi diagnosticada esta condição não estavam vacinadas.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), o número de países europeus com casos de sarampo foi crescendo no início deste ano e quase todos eles terão ligação ao surto que começou na Roménia em fevereiro de 2016.

Além de Portugal, registaram surtos de sarampo a Áustria, Bélgica, Bulgária, Espanha, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Islândia, Itália, Suíça e Suécia.

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