Queerquivo, o arquivo LGBT que depois do virtual quer chegar às bibliotecas nacionais

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15 Set 2018 / 10:52 H.

A ausência de um sítio físico ou virtual onde estivessem registadas as figuras marcantes do universo LGBT resultou na criação do Queerquivo, que depois de viver no mundo ‘online’ transforma-se agora em livro e quer chegar às bibliotecas nacionais.

O projecto é da autoria de André Murraças e, tal como o próprio explicou à Lusa, a ideia surgiu da “frustração de não existir um sítio físico ou virtual onde estivessem registadas, identificadas, arquivas celebridades, personalidades, figuras do universo LGBT [Lésbica, Gay, Bissexual e Trans] português”.

“Encontramos informação sobre pessoas mais conhecidas, como o [António] Variações ou Al Berto, mas sinto falta de alguma pesquisa histórica e alguma documentação dentro deste universo onde existe muita coisa por falar”, explicou André Murraças.

O inventário começou e rapidamente André criou uma lista base de personalidades, pedindo depois a outras que “escrevessem por que razão aquelas pessoas foram importantes para eles [para depois] fazer um arquivo quase emocional”.

O projecto viu a luz do dia em Maio deste ano e a partir daí começaram a sair semanalmente textos onde “personalidade x falava de personalidade y, sempre com o lado emocional de por que razão a influenciou”, porque o objectivo era mais ambicioso do que o mero relato histórico.

Cerca de cinco meses depois de andar apenas pelo mundo virtual, o projecto vai agora saltar para o mundo físico, através da publicação em livro de todos os textos já disponíveis, numa edição bilingue, disponível para compra no Festival Queer Lisboa, até 22 de Setembro, pelo preço de 10 euros.

André Murraças explicou que para fazer a ligação entre o objecto da escrita e aquele que escreve, procurou que houvesse sempre uma ligação entre as duas personagens, tendo também havido casos em que se “enganou” na atribuição, mas como era um projecto aberto, facilmente conseguiu acertar agulhas.

“O projecto vai além de serem apenas pessoas com esta orientação sexual, não é só isso que importa. Há também textos sobre a Eurovisão, a importância das discotecas, clubes, espaços físicos, as divas, com textos sobre Simone [de Oliveira] ou Amália”, apontou.

Muita gente ficou de fora, mas para André Murraças este é um projecto para continuar e a ideia foi sempre que se materializasse em livro, já que nem toda a gente tem interesse ou se move no mundo virtual e ele queria que houvesse um registo físico.

O autor revelou, por outro lado, que esta primeira edição vai ter 250 exemplares e que haverá um número, ainda não definido, de livros que “vão ser doados para o circuito nacional de bibliotecas”.

Para o futuro, André Murraças vê mais um volume com as histórias que ficaram de fora deste Queerquivo, nomes como o poeta Ary dos Santos ou o actor e encenador João Villaret, além de muitas das figuras importantes do ativismo LGBT de hoje.

O primeiro volume de Queerquivo é apresentado publicamente no domingo, no âmbito do Festival Internacional de Cinema Queer Lisboa.

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