PSD e Vieira da Silva trocam acusações sobre cortes das pensões

Lisboa /
03 Nov 2017 / 16:47 H.

O PSD e Vieira da Silva trocaram hoje acusações, com o líder parlamentar social-democrata a desafiar o ministro a apresentar o documento segundo o qual o anterior Governo pretendia cortar 600 milhões de euros nas pensões a pagamento.

“Acabámos de ouvir o ministro da Segurança Social a dizer pela ‘enésima’ vez que o Programa de Estabilidade e Crescimento previa cortes de 600 milhões de euros nas pensões a pagamento. Queria pedir ao senhor presidente [da Assembleia da República] que pedisse ao ministro que distribuísse o documento onde isso consta. Se isso não existir, doravante a palavra do ministro da Segurança Social vale zero”, acusou Hugo Soares, numa interpelação à mesa, que foi a sua primeira intervenção no debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2018.

O presidente da Assembleia da República em exercício, o social-democrata Matos Correia, considerou que o pedido não se inseria na figura da interpelação à mesa e não deu sequência à exigência.

“Isto é o vale tudo”, disse Hugo Soares, já com o microfone desligado.

A intervenção do líder parlamentar do PSD seguiu-se a um pedido de esclarecimento do deputado e vice-presidente da bancada social-democrata Adão Silva ao ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva.

“Há o desejo eterno de qualquer homem, que é poder viver duas vezes”, afirmou Adão Silva, salientando que os bons dados do desemprego de que o ministro se orgulhou na sua intervenção inicial tiveram condições criadas pelo anterior executivo PSD/CDS-PP.

Adão Silva realçou ainda os cortes que o governo socialista fez em 2010, quando Vieira da Silva ocupava a mesma pasta, no abono de família e o congelamento de todas das pensões, incluindo as mínimas.

“O senhor ministro é um provocador”, criticou o vice-presidente da bancada do PSD, acusando ainda o Governo de ter feito um aumento extraordinário das pensões “manhoso”, não pelo aumento, mas pelo ‘timing’, em agosto, em vésperas de eleições autárquicas.

Vieira da Silva recusou-se a comparar passados, “nem cortes, nem congelamentos”.

“Não vou comparar passados porque isso seria demasiado dramático para essas bancadas, teria de falar de cortes dos salários, das pensões, do subsídio de desemprego, de todas as prestações sociais”, afirmou.

O ministro disse preferir falar das propostas da direita, nomeadamente do Programa de Estabilidade e Crescimento que PSD e CDS-PP apresentaram para a atual legislatura, em 2015.

“Estava lá a matriz, a essência da vossa proposta na Segurança Social: era o corte das pensões em pagamento, com outro nome, Contribuição Extraordinária de Solidariedade”, acusou, no que motivou o pedido de defesa da honra por parte de Hugo Soares.