Presidente recorda bispo do Porto António Francisco como “grande português”

Hoje em Marco de Canaveses, Marcelo defendeu que os políticos têm de atender “às pessoas de carne e osso”

Porto /
26 Nov 2017 / 15:16 H.

O Presidente da República elogiou hoje, em Marco de Canaveses, António Francisco dos Santos, bispo do Porto falecido em Setembro, recordando-o como “um grande português” e uma personalidade “de coração aberto”.

“Foi um grande português. Eu recordo a forma como se associou à celebração do 10 de Junho, este ano, abrindo as portas do Paço Episcopal, abrindo a própria Sé e os claustros da Sé, traduzindo no fundo uma realidade que é a história de Portugal, a história da ligação entre a Igreja Católica e a nação portuguesa”, comentou, em declarações aos jornalistas.

O chefe de Estado participou na homenagem prestada pela paróquia local, no âmbito da qual assistiu à missa dominical, realizada na igreja da cidade.

“Foi um convite muito simpático do pároco desta paróquia associar-me a uma homenagem tão justa. Foi um grande bispo, de uma dedicação, de uma humanidade, de um coração aberto, de um sacrifício até ao limite das suas forças físicas, em duas dioceses, mas em particular aqui na diocese do Porto. Deixou um traço de amizade em todos aqueles que contactaram com o senhor D. António Francisco”, considerou o Presidente.

Em Julho deste ano, o bispo do Porto tinha sido agraciado pela Câmara de Marco de Canaveses com a Medalha de Honra do Município.

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido em clima de festa por centenas de pessoas e pela nova presidente da câmara, Cristina Vieira, eleita em Outubro, junto à igreja e ao Centro Paroquial de Santa Maria de Marco de Canaveses.

Do programa da visita constava também uma visita ao hospital da cidade para assinalar o 50.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Marco de Canaveses, acompanhado pelo presidente da União das Misericórdias Portugueses, Manuel Lemos.

No decorrer da sua intervenção, o Presidente da República defendeu que os políticos não se podem “descolar” daquilo que sentem “as pessoas de carne e osso”.

“Que aqueles que intervêm na vida política estejam identificados com as pessoas concretas de carne e osso, que estejam atentos àquilo que se pensa, àquilo que se sente, se sofre e é preciso resolver, dos vários lados”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado respondia a questões dos jornalistas sobre o segundo aniversário do Governo socialista, hoje assinalado, recusando-se a comentar a sessão de perguntas de cidadãos ao executivo, que vai decorrer em Aveiro, à tarde.

“É uma matéria que não comento, o Presidente da República coloca-se noutro plano, acima disso tudo. Há problemas tão importantes dos portugueses e são esses problemas que preocupam o Presidente da República, de facto, e alguns deles ficaram mais visíveis com as tragédias recentes”, destacou.

“Não podemos nunca descolar dessas necessidades”, acrescentou, referindo que as pessoas de carne e osso “são a justificação da vida política”.

À margem do programa oficial, o chefe do Estado respondeu também às várias perguntas dos jornalistas sobre o balanço dos dois anos de governação.

“Limito-me a dizer o que digo desde o primeiro minuto. No primeiro minuto achava-se que era impossível, muitos achavam que era impossível, eu sempre pensei que era possível e desejável”, comentou.

Para o Presidente, tendo em conta que a Europa e o mundo estão numa “fase difícil”, não se deve “juntar crises internas a problemas internacionais”.

“Foi isso que eu sempre pensei e é isso que eu penso. Não mudo de pensamento, sou muito estável, não tenho estados de alma ao longo do meu mandato”, acrescentou.