Portugal tem “dados passos muito significativos” no ensino do Braille

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03 Jan 2018 / 17:36 H.

O presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), afirmou hoje que ainda existe “um défice de professores” com preparação suficiente para o ensino da escrita Braille, mas reconhece que têm sido dados “passos muito significativos”.

“As necessidades não estão todas cobertas porque existe um défice de professores com preparação suficiente”, mas “não podemos deixar de dizer que as escolas de referência têm vindo a cumprir os seus objectivos”, disse Tomé Coelho, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Mundial do Braille, que se assinala na quinta-feira.

Nos últimos anos, “as crianças e adultos com deficiência visual têm podido usufruir da aprendizagem e da utilização do sistema Braille no processo educativo”, sustentou o presidente da ACAPO.

Tomé Coelho afirmou que existem “muitos professores de Braille no ensino especial, nomeadamente nas escolas de referência”, mas lembrou o objectivo da secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, de criar uma escola inclusiva.

“Uma escola inclusiva, onde todas as escolas pudessem usufruir de recursos materiais e humanos para que as crianças e os jovens com deficiência visual não tivessem que se deslocar, é o objectivo para o qual se caminha, mas que levará algum tempo a concretizar”, sublinhou.

Apesar de não ter dados oficiais sobre o número de crianças que frequentam o ensino de Braille em Portugal, Tomé Coelho disse que “quase a totalidade das crianças com deficiência visual” estão incluídas no processo educativo nas escolas oficiais.

Também as pessoas que “o desejem, mesmo a nível superior, conseguem frequentar cursos nas mais diversas áreas”, frisou.

“Nos últimos anos tem-se vindo a assistir a um investimento por parte do Estado” e a “um esforço” de todas as instituições representativas das pessoas com deficiência visual, das famílias e dos próprios visados no sentido de “dotar estas pessoas com os instrumentos que lhes permitam ser autónomos um dia mais tarde”, disse.

O presidente da ACAPO salientou ainda a “importância extraordinária” do sistema oficial de escrita e leitura para as pessoas com deficiência visual (Braille) para o desempenho de actividades profissionais destas pessoas.

“Naturalmente que, quanto melhor dominarem o sistema Braille, melhores condições estarão reunidas para que as pessoas com deficiência visual desempenhem funções profissionais com maior eficiência e ao mais alto nível”, adiantou.

Apesar de ainda haver “muito a fazer” em termos de empregabilidade, já há muitas pessoas empregadas na Função Pública, nas autarquias e em muitas empresas privadas.

“Isso é muito importante porque faz com que as pessoas sejam incluídas na sociedade”, adiantou à Lusa.

O objectivo é “sempre de contribuir para a dignificação das pessoas com deficiência visual”, para a sua inclusão social, profissional e cultural, para que sejam “atenuados” e mesmo abolidos “todos os factores que têm contribuído até agora para discriminar e marginalizar” estas pessoas.

Para celebrar o Dia Mundial do Braille, o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) realiza na quinta-feira, em Leiria, o Seminário “Literacia Braille no Século XXI”, em que estará presente a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, responsáveis da ACAPO, e o presidente do INR.

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