Portugal e Tunísia querem reforçar cooperação com ensino do português e investimento

30 Nov 2016 / 18:18 H.

Portugal e a Tunísia pretendem reforçar a cooperação bilateral, disse hoje a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros portuguesa, que apontou oportunidades de investimento em sectores como as infra-estruturas e energia e o alargamento do ensino do português.

Em declarações à Lusa no final de uma visita de dois dias à Tunísia, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, destacou os progressos na introdução da língua portuguesa no ensino daquele país, os contactos políticos e as oportunidades de investimento.

Segundo a secretária de Estado, a língua portuguesa está a ser introduzida naquele país, a nível do ensino secundário, como língua estrangeira, cumprindo memorandos de entendimento assinados entre os dois países.

Actualmente, esta oferta já existe em cinco escolas, tendo arrancado numa delas com 20 alunos e nas restantes na qualidade de Clube da Língua Portuguesa.

“Estamos no início do processo”, explicou Teresa Ribeiro, que recordou que a oferta do português já existe a nível universitário, desde 2004, tendo já optado pela língua portuguesa cerca de 500 alunos.

A Tunísia já conta com um docente português que assegura a coordenação deste processo de integração curricular da língua portuguesa.

Durante a sua visita à Tunísia, Teresa Ribeiro participou na Conferência Internacional de Apoio à Economia e Promoção do Investimento na Tunísia - Tunísia 2020, em que destacou a “participação muito assinalável” de países, agências de desenvolvimento, organizações económicas e organizações multilaterais financeiras.

Para a governante portuguesa, esta participação é “um sinal de confiança e de reconhecimento pela importância da Tunísia para a estabilidade na sua região e para a consolidação de um espaço de democracia e de respeito pelos direitos humanos”.

Durante a sua deslocação, Teresa Ribeiro contactou com representantes da comunidade portuguesa na Tunísia, destacando a vontade dos empresários portugueses de continuar naquele país por considerarem que “é um mercado estável” e no qual “é preciso apostar continuadamente”.

Se já há empresários “com investimentos muito significativos” em áreas como a saúde, construção ou azeite, a secretária de Estado apontou que a Tunísia “precisa de infra-estruturas, de energia” como sectores que “podem e devem ser trabalhados”.

Teresa Ribeiro reuniu-se com o seu homólogo tunisino, Sabri Bachtobji - que fala português - e com o ministro da Educação tunisino, Néji Jalloul, que é, relatou, um profundo conhecedor de Portugal e da época dos Descobrimentos.

Nestes encontros, a governante disse ter sido reiterado o interesse na língua portuguesa, nomeadamente para a penetração em países africanos como Angola e Moçambique, bem como no aprofundamento do conhecimento mútuo das culturas portuguesa e tunisina pelos povos dos dois países.

Também o ministro da Indústria tunisino transmitiu o interesse na cooperação com Portugal no âmbito da simplificação administrativa e reforma fiscal, com vista ao combate à evasão, mencionou Teresa Ribeiro.

Temas que, segundo a governante, deverão ser aprofundados na próxima cimeira bilateral, que deverá decorrer na Tunísia no próximo ano.

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