Portugal continua a importar mais do dobro de sardinha do que exporta

04 Nov 2017 / 11:23 H.

Portugal continua a importar mais do dobro da sardinha que exporta, segundo dados do INE que indicam a venda de 6,1 mil toneladas e a compra de mais de 14,5 mil toneladas entre Janeiro e Agosto deste ano.

Segundo os dados preliminares facultados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) à agência Lusa, nos primeiros oito meses deste ano, Portugal exportou 6,1 mil toneladas (quase 6,2 mil toneladas quando se incluem dois géneros - sardinops e sardinelas), contabilizando peixe fresco e congelado. O valor foi de quase 12 milhões de euros.

No mesmo período de 2016 as vendas ao exterior, segundo dados provisórios do INE, ultrapassaram as 4,8 mil de toneladas (quase 5 mil de toneladas, com a inclusão dos géneros sardinops e sardinelas) e os 10,8 milhões de euros. Na totalidade do ano passado, a exportação foi de 7,5 mil de toneladas, correspondendo a 15,4 milhões de euros.

Nas importações, com destaque para o peso da sardinha congelada, as estatísticas provisórias mostram em 2016 um total de quase 25 mil toneladas (25,6 mil toneladas com géneros) e um valor de 32,6 milhões de euros. A importação de espécie congelada chegou quase às 18 mil toneladas e a aproximadamente 20 milhões de euros.

Na comparação com os primeiros oito meses de 2016, a venda ao exterior aumentou em 1,3 mil toneladas (6,1 mil toneladas este ano e quase 12 milhões de euros) este ano, face às 4,8 mil toneladas no ano passado e aproximadamente 11 milhões de euros.

Segundo o INE, com fonte no Comércio Internacional de Bens, até Agosto de 2017 foram importadas mais de 11 mil toneladas de sardinha congelada (12,4 milhões de euros), enquanto no mesmo período em 2016 não se tinha chegado às 10 mil toneladas (10,5 milhões de euros). Uma subida de 1,2 mil toneladas é a diferença em termos de importação, já que até Agosto de 2017 se somavam 14,5 mil toneladas (quase 19 milhões de euros) contra as 13,4 mil toneladas de sardinha no período homólogo (cerca de 18 milhões de euros) de 2016.

Portugal compra quase o dobro da sardinha que vende a Espanha

Espanha é o principal parceiro de Portugal no comércio de sardinha, mas a balança comercial ainda é deficitária, pois nos oito primeiros meses deste ano as importações representaram quase o dobro das exportações.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) facultados à agência Lusa, nos oito primeiros meses de 2017, as vendas para Espanha ultrapassaram as 4,3 mil toneladas de sardinhas - frescas e congeladas - (7,8 milhões de euros), traduzindo um acréscimo de 1,2 mil toneladas em relação ao mesmo período de 2016 (6,9 milhões de euros).

No mesmo período, Espanha vendeu a Portugal oito mil toneladas (numa descida de 405 toneladas face a 2016).

Nestas contas, com dados provisórios de 2016 e preliminares de 2017, destaca-se a maior quantidade de produto fresco ou refrigerado vendido a Espanha em relação ao congelado.

Em todo o ano passado, exportaram-se para Espanha mais de 5,2 mil toneladas, o que correspondeu a mais de 10 milhões de euros, com destaque para a sardinha fresca, que representou quase 3,9 mil toneladas (8,7 milhões de euros).

Apenas quanto à sardinha fresca, até Agosto de 2017, depois da líder Espanha (3,2 mil toneladas, contra 2,7 mil toneladas em 2016), quem comprava mais a Portugal eram os Estados Unidos (quase 51 toneladas), seguidos pela França (24 mil), invertendo a ordem do período homólogo de 2016, quando os franceses somavam 62 toneladas e os norte-americanos 51,5 toneladas.

Na comparação com o período de Janeiro a Agosto de 2016, regista-se ainda que, em volume, Portugal aumentou as exportações deste género fresco para Espanha, Luxemburgo, Itália e Reino Unido, passando ainda a vender para a República Democrática do Congo e anulou a venda para os Países Baixos.

Até Agosto de 2017, Espanha recebeu 1,1 mil toneladas de sardinha congelada portuguesa (contra 368 toneladas em 2016), seguindo-se o Canadá, França, Estados Unidos, Suíça e Macau. Em relação ao mesmo período de 2016, notam-se as ‘estreias’ na lista das exportações da Croácia, Cuba, Paraguai, Uruguai, Curaçau e Tailândia. O INE indicou que este ano, até Agosto, não tinham sido registadas exportações, ao contrário de 2016, para a China, Antígua e Barbuda, Malta, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Maurícia.

Espanha vendeu a Portugal, até Agosto deste ano, oito mil toneladas, menos 405 toneladas face a 2016. Na totalidade de 2016, foram importadas quase 17 mil toneladas. No género fresco ou refrigerado, foram compradas nos primeiros oito meses do ano a Espanha três mil toneladas (3,4 mil toneladas em 2016), seguindo-se a Croácia (254 toneladas contra 60 no ano passado). Entraram nesta lista França, Grécia e Itália, saindo a Letónia.

Já na importação da sardinha congelada, Espanha lidera este ano com 5,04 mil toneladas (5,03 mil em 2016), surgindo depois Marrocos, (2,7 mil toneladas em 2017 contra 3,7 mil toneladas em 2016) e França (1,2 mil toneladas contra 591 toneladas no ano passado). Na comparação com os primeiros oito meses de 2016, entrou na lista a Grécia e saíram a Itália e a Letónia.

Preço da sardinha mais do que triplicou em seis anos

O preço médio da sardinha mais do que triplicou (aumento de 222%) entre 2010 e 2016, ao subir 1,42 euros em termos do valor médio por quilograma nestes seis anos, segundo os dados da Docapesca.

Neste período, o preço apenas baixou em 2016, 2,06 euros, segundo a instituição do sector empresarial do Estado, que nos seus últimos registos semanais de 2017 contabilizou preços entre 3,14 e 0,47 euros por quilo.

Acompanhando a diminuição das capturas, em 2010, o valor médio era de 0,64 euros (referentes a 57 mil toneladas), passando para 0,76 euros no ano seguinte (54 mil toneladas). Em 2012, ultrapassou-se um euro por quilo (1,30 euros em 32 mil toneladas) e em 2013 comprava-se, em média, um quilo de sardinha por 1,43 euros.

Em 2014 um quilo custava quase dois euros (1,99 euros, quando foram transaccionadas cerca de 16 mil toneladas), tendo no ano seguinte ultrapassado em 19 cêntimos os dois euros (14 mil toneladas), ou seja, o preço médio mais elevado dos últimos 20 anos.

Já em 2016 registou-se a primeira descida do preço em seis anos, quando valor se ficou nos 2,06 euros e quando foram transaccionados em lota 13,4 mil toneladas.

Nos registos disponibilizados pela Docapesca referentes à semana entre 18 e 22 de setembro o preço médio máximo, encontrado na lota de Matosinhos, era de 3,14 euros, enquanto o preço médio mínimo era de 0,47 euros, registado na Costa da Caparica.

A tabela dos valores de 14 docas nacionais mostram um preço médio de 1,55 euros nesta semana de 2017.

Ao contrário das restantes quotas de pesca, atribuídas pela União Europeia, as da sardinha são geridas e fixadas por Portugal e Espanha, com base nos pareceres do Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (ICES, na sigla inglesa), que tem recomendado uma drástica redução das pescas para travar o declínio do ‘stock’.

Em 20 de Outubro, o ICES recomendou a suspensão da pesca da sardinha em Portugal e Espanha em 2018, mas apontou, contudo, vários cenários de limites de capturas, estabelecendo como máximo as 24.650 toneladas.

Dias depois, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, admitiu que os limites de captura de sardinha para Portugal e Espanha possam ultrapassar as 14 mil toneladas, quando em 2017 foram de 17 mil toneladas.

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