Porto invadido por ‘lockers’ para preencher lacuna no sector do alojamento local

Porto /
22 Ago 2017 / 05:00 H.

O negócio dos ‘lockers’, cacifos para guardar bagagens, floresce no Porto para colmatar uma lacuna no mercado do alojamento local, invadindo cafés, lojas de ‘design’ ou de aluguer de bicicletas e ‘scooters’ ou estações de metro e comboios.

Um cartaz colocado à entrada do café Nata Lisboa, na Rua de Santa Catarina, onde se lê ‘The Luggage Storage’ chama a atenção debaixo de uma imagem publicitária de um pastel de nata com mais de um metro de altura.

Um pouco mais acima, na Rua da Alegria, o anúncio para guardar bagagens ‘The Luggage Storage’ repete-se, mas desta vez com o cartaz colocado à entrada de uma loja de aluguer de ‘scouters’.

A Lusa identificou que existem, pelo menos, 12 pontos de ‘lockers’, com cacifos e seus congéneres, como por exemplo espaços e zonas destinadas a depósitar bagagens com códigos eletrónicos ou cintas. Os ‘lockers’ estão espalhados entre a Rua Formosa, Rua das Flores, Rua das Taipas, Ribeira do Porto, Rua Mouzinho da Silveira, junto aos Clérigos ou na Casa da Música.

Na estação do Metro da Trindade e nas estações de comboio de São Bento e de Campanhã e na loja de turismo ‘Porto Welcome Center’ também há ‘lockers’, um novo negócio que se pode comparar de forma um pouco forçada a uma espécie de parque de estacionamento para malas, mas com garantias de segurança.

“Era uma lacuna. Uma falha na cidade que comecei a detetar em abril de 2016. A minha epifania foi lembrar-me de fazer parcerias com lojas de ‘core business’ diferentes e criar soluções para armazenar as malas em segurança”, conta à agência Lusa Paula Azevedo, mentora da marca ‘The Luggage Storage’, cujos preços diários para as bagagens variam entre os 3,5 euros por três horas e os sete euros por dia.

Da falha de oferta na cidade até à criação de uma solução para as malas e ‘trolleys’ dos turistas foi um trajeto rápido. Paula Azevedo, com doutoramento em Estratégia em Marketing, criou a marca ‘Luggage Storage’ e desenvolveu um conceito que cruza negócios diferentes, obtendo sinergias e dispensando investimentos elevados.

Contratos firmados, onde 50% do lucro fica para o retalhista que colabora na parceria e os outros 50% para ‘The Luggage Storage’, a marca portuguesa tem, pelo menos, sete pontos na cidade do Porto, em cafetarias, serviços associados a turistas como as ‘rent’ de’ scouters’ e lojas de ‘design’. Todos os espaços para armazenar as malas foram estrategicamente localizados perto de estações de metro, acrescenta Paula Azevedo, referindo que a maioria dos clientes são estrangeiros.

A marca tem no total 25 pontos espalhados pelo país - Évora, Lagos, Tavira, Portimão, Faro, Sintra, Estoril, Albufeira, Braga, Porto, Guimarães e Coimbra - e estima abrir até ao final do ano mais 10 pontos, adiantou Paula Azevedo.

A ‘The Biggest Cloakroom’ arrancou no Porto em dezembro de 2016, tem sede na Rua das Taipas e oferece cacifos para guardar malas, mas também serviço diferenciado de receção e informação aos turistas e um serviço de transporte dentro da cidade e para o aeroporto, em parceria com a Cabify, empresa multinacional de rede de transporte, descreve Marina Torres, diretora de marketing da ‘The Biggest Cloackroom’.

Oferece espaços para malas tamanho S (pequeno), M (médio) e L (grande) com preços a variar entre os três euros por três horas e os nove euros para o dia inteiro com mala tamanho L.

A ideia surgiu, segundo conta Marina Torres, durante uma viagem ao estrangeiro com a irmã, e onde usaram o conceito de guardar bagagens em cacifos.

“Depois de uma busca no Porto, descobrimos que não existia este conceito, com o diferencial de receção ao turista”, conta Marina, explicando que o volume de negócios cresce de mês para mês e que já alargaram o conceito à cidade de Aveiro e a eventos da cidade do Porto, como o festival de música Primavera Sound.

“Queremos ser loja itinerante em eventos, porque cada vez mais há preocupação com a segurança”, desvendou Marina Torres.

A explosão de ‘lockers’ no Porto continua, agora, pela Rua Formosa com a ‘Good Lock’, outra marca onde se podem alugar bicicletas e deixar as malas em cacifos com códigos de segurança.

A ‘Good Lock’ abriu em abril passado, com 34 cacifos guarnecidos com bloqueio eletrónico e que funcionam com código pessoal. Está aberta das 09:00 às 20:00 com preços que variam entre os seis euros e os 10 euros por dia. O espaço tem ainda o serviço de vestiário e lavatório com água quente para os clientes.

Segundo Rita Martel, uma das três sócias do Good Lock, localizada bem perto do Mercado do Bolhão, o negócio tem sido “muito rentável” com taxas de ocupação diária na ordem dos 40%, e com “lotação esgotada na última quinzena de julho”.

“A ideia de abrir o negócio dos cacifos apareceu durante uma viagem que fez com amigos a Barcelona (Espanha), em que sentiram necessidade de guardar as bagagens para aproveitar o tempo antes de apanhar o avião.

“Trouxemos a ideia para Portugal”, conta Rita Martel, 23 anos de idade, da área profissional do Desporto e que partilha o negócio com mais duas sócias.

Dados do turismo do Porto e Norte de Portugal, referem que os cacifos instalados há cerca de um ano na ‘Porto Welcome Center’ têm registado “um movimento elevado de aluguer”, que por vezes estão 50% ocupados, designadamente aos fins de semana.

A altura de maior pico de procura de ‘lockers’ é à hora de almoço, dizem alguns operadores do setor, explicando que é uma hora a que ou os turistas têm de fazer o ‘check out’ nos apartamentos turísticos ou ainda não podem fazer o ‘check in’ no alojamento local (alojamento temporário para turistas), ou simplesmente o voo de avião permite aproveitar umas horas livres de malas para sentir o ‘pulsar’ do Porto de forma mais confortável.