Pedrógão Grande: Incêndio corre o mundo e vai “abrir um novo ciclo em Portugal”

20 Jun 2017 / 01:00 H.

De repente, sem o menor aviso, ao meio da tarde de hoje, as chamas eclodiram a poucos metros de duas habitações da povoação de Atalaia Cimeira, na freguesia da Graça, concelho de Pedrógão Grande.

Betty de Jesus metee-se no seu Peugeot 206 e percorreu a aldeia a buzinar, para “dizer” aos vizinhos que o fogo voltou a rondar a casa dos seus tios e, afinal, toda a povoação.

A luso-venezuelana, de 49 anos, que vive em Figueiró dos Vinhos há quase 30 anos e é comerciante em Pedrógão Grande, regressou a casa dos tios e corree contra as chamas, com baldes de água retirada de um tanque.

Em poucos instante o fogo cresceu, mas os combatentes também aumentaram e multiplicaram-se as descargas de baldes de água sobre o incêndio, até que chegou um homem com um tanque de água transportado num trator, ligou o motor, estendeu a mangueira e as chamas começaram a ceder.

“O fogo andou aqui ontem à tarde e agora voltou”, disse à agência Lusa Betty de Jesus, que, enquanto o incêndio não estiver completamente dominado, não deixará os tios sós.

“Esta tragédia, sem a menor explicação”, tornou “Pedrógão Grande conhecido em todo o mundo”, salienta Betty, reconhecendo que as razões são no entanto “trágicas, más de mais”.

Mas “isto vai mudar, qualquer coisa me diz que isto, que este acontecimento trágico não será totalmente em vão e que um novo ciclo se vai abrir em Portugal e talvez mesmo no mundo”, desabafou, convicta, Betty de Jesus.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço oficial dá conta de 64 mortos e 135 feridos.

Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco. Em todo o País, os fogos mobilizam um total de cerca de 2.155 operacionais, 666 veículos e 21 meios aéreos.