Oitavas eleições directas do PSD prometem ser das mais disputadas

10 Dez 2017 / 09:45 H.

As próximas eleições diretas, as oitavas na história do PSD, deverão ser das mais disputadas entre os sociais-democratas, com as candidaturas de Santana Lopes e Rui Rio a contabilizarem apoios, entre ‘notáveis’ e estruturas.

Desde que se realizam diretas para eleger o presidente do PSD -- introduzidas em 2006 pelo então líder Luís Marques Mendes -- as mais renhidas disputaram-se em 2008, com diferenças inferiores a dez pontos entre o primeiro e o terceiro candidatos.

Manuela Ferreira Leite foi a vencedora com 37,9% dos votos, Pedro Passos Coelho ficou em segundo com 31,06%, seguindo-se Pedro Santana Lopes com 29,6%. Em quarto lugar ficou Patinha Antão, com 0,68%.

Em quatro das sete eleições diretas apenas houve um candidato a presidente do PSD, caso da primeira que consagrou Marques Mendes líder por este novo método e das três reeleições do atual presidente, Pedro Passos Coelho.

Só por uma vez as diretas foram disputadas entre dois candidatos, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, em 2007, que o segundo venceu com uma diferença de dez pontos percentuais.

Em 2008, as diretas mais renhidas até hoje registaram quatro candidatos e em 2010 foram novamente quatro os candidatos à presidência do PSD. Passos Coelho venceu então pela primeira vez as diretas com 66%, a uma distância confortável dos adversários: Paulo Rangel obteve 34,5% dos votos, José Pedro Aguiar-Branco 3,5% e Castanheira Barros apenas 0,3%.

Para as eleições diretas de 13 de janeiro, em ambas as candidaturas, estima-se que a disputa seja renhida e a contabilização de apoios tem sido uma constante.

Quanto aos apoios maioritários de militantes em cada estrutura distrital e regional, nem sempre as duas candidaturas coincidem na leitura.

Do lado dos apoiantes de Rui Rio, contabiliza-se, neste momento, uma tendência de vitória no Porto, Aveiro, Leiria, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Madeira, Viseu, Bragança e Lisboa Oeste, considerando-se que Braga e Faro são os distritos mais renhidos e admitindo-se nas restantes nove estruturas que Santana Lopes esteja à frente.

Já do lado da candidatura de Santana, concorda-se que este está em vantagem em Lisboa, Beja, Évora, Portalegre, Setúbal, Santarém, Castelo Branco, Açores e Coimbra, mas acrescentam-se também as distritais de Faro e Braga.

Os ‘santanistas’ admitem que Rio esteja, neste momento, à frente em distritais como Guarda, Viseu, Lisboa Oeste, Viana do Castelo, Leiria e na Madeira, mas consideram incertos os resultados em Aveiro, Bragança, Vila Real e no Porto, embora nesta última distrital Rui Rio tenha conseguido recentemente os apoios das concelhias da cidade do Porto e de Gaia.

De ambos os lados, só depois de terminada a data limite de pagamento de quotas (15 de dezembro) será possível ter uma ideia mais precisa, já que até agora só estão em condições de votar cerca de 39 mil militantes de um universo de 101 mil militantes (38,6%).

Entre os chamados notáveis do partido, Rui Rio conta com o apoio dos ex-líderes Francisco Pinto Balsemão e Manuela Ferreira Leite, de dois ex-presidentes dos Governos Regionais da Madeira e Açores, Alberto João Jardim e Mota Amaral, e de vários ex-ministros como Ângelo Correia, Silva Peneda, Ferreira do Amaral, Miguel Cadilhe, Morais Sarmento ou Henrique Chaves.

Já Santana Lopes tem entre os apoiantes o ex-líder e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho Rui Machete, os ex-ministros Miguel Relvas, Álvaro Barreto ou Martins da Cruz, o líder da Juventude Social-Democrata Simão Ribeiro, a vice-presidente do PSD Teresa Morais e pelo menos sete dos 12 ‘vices’ da bancada social-democrata: José Cesário, Carlos Abreu Amorim, Miguel Santos, Sérgio Azevedo, Berta Cabral, Nuno Serra e Amadeu Albergaria.

No grupo parlamentar, a maioria dos 89 deputados que se pronunciaram são apoiantes de Santana Lopes, mas perto de três dezenas estão com Rui Rio, número em que se inclui o vice-presidente da bancada Adão Silva.

O líder parlamentar, Hugo Soares, remeteu a sua declaração de apoio a um dos candidatos para “mais perto do Natal”, já tendo dito considerar “um erro” quem não aproveite o legado de Passos Coelho.

O ex-líder parlamentar Luís Montenegro, que chegou a admitir ser candidato à liderança, garantiu que iria manter-se isento durante a campanha mas ainda não decidiu se irá anunciar publicamente em quem votará.

Em silêncio até 13 de janeiro sobre as eleições diretas ficará o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, devendo o mesmo acontecer com o vice-presidente Marco António Costa.

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