Nobel que identificou ‘GPS’ cerebral espera que descoberta ajude a responder ao Alzheimer

Lisboa /
20 Set 2017 / 16:27 H.

O neurocientista John O’Keefe, Nobel da Medicina em 2014 pela identificação de um “GPS” cerebral, partilhou hoje em Lisboa alguns pormenores desta investigação, sobre a qual disse esperar que possa responder a desafios como o da doença de Alzheimer.

John O’Keefe interveio hoje durante a cimeira internacional “Alzheimer’s Global Summit”, que começou segunda-feira e prolonga-se até sexta-feira na Fundação Champalimaud, um evento que é coorganizado Fundação Rainha Sofia, de Espanha.

Perante uma audiência de dezenas de investigadores e da rainha Sofia de Espanha, que tem estado presente em todos os dias da cimeira, o laureado com o Nobel da Medicina começou por reconhecer que gostaria que algum do conhecimento obtido na sua investigação pudesse “responder a alguns dos desafios que se colocam perante doenças como a de Alzheimer”.

A investigação premiada descobriu as “células que constituem um sistema no cérebro de determinação da posição”, ou seja, uma espécie de GPS cerebral.

Este sistema permite responder a questões simples, tais como: “Como sabemos onde estamos? Como conseguimos encontrar o caminho entre um local e outro? Como guardamos esta informação de modo a pudermos encontrar rapidamente o caminho uma outra vez?”.

O primeiro componente deste “GPS” foi identificado por John O’Keefe em 1971 e depois em 2005 por May-Britt e Edvard Moser, razão para o Nobel de 2014 ser dividido com o casal Moser.

Na sua palestra, o laureado mostrou alguns vídeos da experiência, com os ratos que foram utilizados e que estabeleceram vários circuitos, os quais foram interpretados como mapas celulares relativos a células do hipocampo, parte do cérebro que é considerada a principal sede da memória.

O investigador referiu que o estudo da mudança do desenvolvimento sequencial e fisiológico em modelos pode vir a ser usado numa tarefa maior: a deteção da doença de Alzheimer nos humanos.

Contudo, John O’Keefe sublinhou que ainda há muito a estudar e um longo caminho para percorrer.

Nesta cimeira internacional participam mais de 80 especialistas mundiais que estão a debater a doença de Alzheimer e as demências de forma global, problema que afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo.

Na quinta-feira o encontro conta com a participação de um outro laureado com o Nobel da Medicina: Richard Axel, vencedor deste prémio em 2004 pelo seu estudo dos recetores olfativos e da organização do sistema olfativo nos seres humanos.

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