Marcelo termina hoje visita de Estado com o rei Felipe VI em Salamanca

Madrid /
18 Abr 2018 / 08:28 H.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, termina hoje a sua vista de Estado de três dias a Espanha com uma deslocação à cidade de Salamanca, na companhia do rei Felipe VI.

Hoje de manhã, os dois chefes de Estado vão viajar juntos de helicóptero desde Madrid até Salamanca, na Comunidade de Castela-Leão, uma das 17 comunidades autónomas de Espanha.

Depois de visitarem uma feira de ‘start-ups’ com algumas empresas portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa e Felipe VI vão discursar numa sessão solene na Universidade de Salamanca, que celebra os seus 800 anos.

Nessa cerimónia, que contará também com intervenções dos reitores das universidades de Salamanca, Daniel Hernández Ruipérez, e de Coimbra, Gabriel Silva, irá ouvir-se a canção “Acordai”, de Fernando Lopes Graça e José Gomes Ferreira, cantada pelo coro universitário.

Antes de regressar a Lisboa, o Presidente da República terá um almoço oferecido pelo Presidente da Comunidade de Castela-Leão, Juan Vicente Herrera, já ao início da tarde.

O chefe de Estado chegou a Espanha no domingo à noite, mas o programa oficial só teve início no dia seguinte.

Nesta sua primeira visita de Estado ao país vizinho e principal parceiro económico de Portugal, esteve acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e pelos deputados Carla Barros, do PSD, Luís Testa, do PS, António Carlos Monteiro, do CDS-PP e Rita Rato, do PCP - o Bloco de Esquerda optou por não se fazer representar.

Na segunda e na terça-feira, teve encontros institucionais com o rei Felipe VI e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, em Madrid, e discursou nas Cortes, numa sessão conjunta do Congresso dos Deputados e do Senado, que ficou marcada por um gesto simbólico de parlamentares pró-independência da Catalunha.

Com cravos amarelos ao peito, em sinal de apoio aos políticos catalães presos, cerca de vinte parlamentares cantaram no hemiciclo a canção-símbolo do 25 de Abril “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, após a intervenção do Presidente da República, que foi aplaudida de pé.

Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se a Madrid numa curta visita oficial logo oito dias após ter tomado posse como Presidente da República, na tarde de 17 de Março de 2016, vindo do Vaticano, para um encontro com o rei de Espanha, seguido de um jantar no Palácio Real.

Oito meses depois, os reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, estiveram em Portugal, entre 28 e 30 de Novembro, em visita de Estado, com passagens pelo Porto, Guimarães e Lisboa.

Presidente faz balanço “muito positivo” e realça “magnífico relacionamento” com rei

O Presidente da República fez já ontem um balanço “muito positivo” da sua visita de Estado a Espanha.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no final de uma recepção aos reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, no Palácio do Pardo, nos arredores de Madrid, em que estiveram personalidades como o futebolista Luís Figo e a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, viúva do escritor José Saramago, e se ouviu cantar o fado pela cantora Cuca Roseta.

Cristiano Ronaldo, que o chefe de Estado tinha dito que gostaria de ver nesta cerimónia, não esteve presente.

“Eu teria gostado, mas infelizmente o jogo com o Athletic de Bilbao obrigou-o a um estágio antecipado”, referiu o Presidente da República, para explicar a ausência do melhor marcador da história do Real Madrid e da selecção portuguesa de futebol.

Apesar de não ter ainda terminado a sua visita de Estado a Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “já é possível, relativamente a tudo o que se passou nestes dias muito intensos, fazer um balanço”.

No seu entender, o balanço é “muito positivo”, porque “Portugal e Espanha reconheceram o momento excelente das relações a nível de chefes de Estado”.

“De tal forma excelente que não pude deixar de ser sensível a uma eventual ida a Salamanca, novamente, no final do mês de Maio, para uma reunião de 600 reitores de universidades europeias. Sua majestade irá e fez questão também na minha presença, até para falar eventualmente da presença universitária em Portugal”, adiantou.

De acordo com o Presidente da República, “isto mostra o magnífico relacionamento que existe a nível de chefes de Estado”, que “é muito bom para o relacionamento entre Portugal e Espanha”.

“Chamo a atenção para o facto de sua majestade ter insistido em estar presente num número elevadíssimo de pontos do programa e de ter acompanhado em pormenor a preparação do programa e a execução do programa - como, aliás, eu fiz em 2016 com a visita de suas majestades. O que quer dizer que há uma aproximação pessoal muito forte”, acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “o mesmo se passa a nível de governos”, em que o primeiro-ministro português, António Costa, e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, “que são de áreas muito diferentes, e no entanto se dão muito bem”.

“O facto de haver uma proximidade pessoal tem importância política”, defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que quis “dar a esta visita de Estado um sentido de futuro” e retomou a ideia, repetida nos últimos dois dias, de que Portugal e Espanha se aproximaram com a democracia e a integração europeia, “ao fim de muitos séculos” de relações bilaterais menos boas.

“E a solução que encontrámos é muito boa, porque temos maneiras de ser diferentes, somos como somos, diferentes, mas convergimos em muitos pontos, no plano bilateral e na Europa e no mundo”, sustentou, concluindo: “É uma mais-valia entendermo-nos tão bem assim. No passado isso, muitas vezes, não aconteceu”.

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