Investigadores defendem que exercício físico deve ser usado no tratamento da disfunção eréctil

30 Nov 2016 / 10:52 H.

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Sistemas de Saúde (Cintesis) da Universidade do Porto defendem que o exercício físico pode e deve ser usado no tratamento da disfunção eréctil, a par da medicação e sob supervisão médica.

Num trabalho publicado no British Journal of Sports Medicine, a equipa coordenada por Carlos Martins e Luís Azevedo, médicos, professores universitários e investigadores do Cintesis, refere que “foi realizada uma extensa e aprofundada pesquisa, selecção e análise da literatura e agregados os resultados de sete ensaios clínicos desenvolvidos entre 2004 e 2013, envolvendo 478 participantes com diagnóstico de disfunção eréctil e idades compreendidas entre os 43 e os 69 anos”.

Os resultados indicaram que “a actividade e exercício físicos melhoram a disfunção eréctil, especialmente os exercícios aeróbicos com intensidade moderada a vigorosa”.

Segundo André Silva, primeiro autor deste trabalho, “o principal desafio é mudar o paradigma de tratamento, incluindo a actividade física como terapia adjuvante. Isso vai exigir a participação de equipas multidisciplinares que incluam especialistas em urologia, medicina geral e familiar, fisioterapia, medicina desportiva e enfermeiros devidamente treinados”.

O investigador reitera que “o exercício físico deve ser incluído como tratamento sob supervisão clínica, sendo importante excluir contraindicações relevantes para este tipo de intervenção”.

Ainda não é claro quanto tempo levará até que a prática de exercício físico melhore de forma significativa a disfunção eréctil, por isso, os investigadores defendem que é importante “promover ensaios clínicos maiores, que acompanhem os pacientes por longos períodos, para investigar que tipo específico de exercício funciona melhor e por quanto tempo deve ser recomendado”.

De acordo com os autores do estudo, a disfunção eréctil é um problema crescente na sociedade atua, afectando 8% dos homens entre os 20 e os 30 anos de idade. Esta taxa sobe substancialmente com a idade, estimando-se que atinja 37% dos homens entre os 70 e os 75 anos.

Para além de ter “um forte impacto negativo” na qualidade de vida dos afectados, a disfunção eréctil é “um reconhecido indicador da presença de doenças cardiovasculares”.

“É importante que os homens que se vêem confrontados com problemas em ter ou manter uma erecção procurem o seu médico assistente, não só para resolverem a disfunção eréctil, mas também para avaliarem a existência de outros problemas de saúde potencialmente importantes”, sublinha André Silva.