Feira do Cuidador lembra que Portugal tem maior taxa europeia de cuidadores informais

28 Out 2017 / 06:03 H.

Portugal tem a maior taxa da Europa de cuidados domiciliários informais prestados por familiares, segundo dados oficiais divulgados por instituições sociais, mas ainda não tem um estatuto do cuidador informal.

A Rede Social de Lisboa, que integra mais de 400 instituições e empresas, lembra esta realidade, numa altura em que organiza a Feira do Cuidador, que decorre hoje em Lisboa.

Segundo Pedro Almeida, director técnico da instituição Entre Idades, a Feira do Cuidador tem como objectivo reconhecer, dignificar e apoiar o papel do cuidador.

“Este evento surgiu da necessidade que temos sentido de dar apoio aos cuidadores informais, que têm uma elevada sobrecarga e têm muitas vezes dúvidas sobre como fazer determinada coisa ou sobre se estão a fazê-lo bem”, explicou Pedro Almeida à agência Lusa.

Na Feira do Cuidador haverá ‘workshops’ sobre actividades básicas do quotidiano, como banhos, e sobre alimentação ou questões de saúde, como a diabetes, as demências ou a doença renal crónica.

Haverá também espaços mais dedicados ao bem-estar, com actividades como yoga ou tai chi.

A assistente social e terapeuta familiar Marta Olim, que trabalha sobretudo no contexto da doença renal crónica, lembra que a doença “acontece também na vida dos cuidadores”.

“Também eles foram completamente atropelados pela doença e por um tratamento que condicionam de forma severa o seu próprio projecto de vida individual”, referiu à agência Lusa.

Os cuidadores manifestam “necessidades e preocupações muitas vezes diferentes das pessoas de que cuidam” e sentem-se “impotentes face às exigências da doença e do tratamento”, bem como “esgotados com a multiplicidade de cuidados”, sublinha a terapeuta familiar e assistente social.

Para Marta Olim, os cuidadores vivem “bastante isolados” e têm “pouco reconhecimento pessoal e social”.

Segundo dados de um estudo da Entidade Reguladora da Saúde, citada pela Rede Social de Lisboa, Portugal tem a maior taxa da Europa de cuidados domiciliários informais e a menor taxa de prestação de cuidados não domiciliários.

O estatuto do cuidador informal deve ser discutido no parlamento ainda este ano, segundo uma proposta do Bloco de Esquerda que foi aprovada na comissão de Trabalho e Segurança Social.

Os cuidadores têm reclamado a criação deste estatuto para conseguirem apoios concretos para quem cuida dos seus familiares doentes.

Pedro Almeida, um dos organizadores da Feira do Cuidador, referiu à Lusa que começa novamente a regressar a tendência de haver mais familiares a cuidar em casa dos seus doentes e idosos, depois de um período em que muitas pessoas optavam por colocar os familiares em instituições residenciais, como lares.

“O objectivo da Feira do Cuidador é apoiar os cuidadores. Mas, naturalmente, é sempre bom sensibilizarmos todos para uma mudança política de forma a haver um apoio mais formal ao cuidador”, considerou.

A organização da Feira é da responsabilidade de um grupo de organizações, membros do Grupo de Trabalho Intervenção em Públicos-Alvo -- Pessoas Idosas, que integra a Associação para o Desenvolvimento de Novas Iniciativas para a Vida, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, Associação Alzheimer Portugal, Associação Vencer, Câmara Municipal de Lisboa, Diaverum, Entre Idades, Fundação Aga Khan, Junta de Freguesia de Alcântara, Projecto Alkantara e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Tópicos