Exposição sobre modernismo brasileiro inaugurada hoje no Museu Berardo

Lisboa /
26 Out 2017 / 08:51 H.

O Brasil viveu o período artístico do modernismo à procura de uma identidade própria, rodeado de fortes influências, sobretudo da Europa, que originaram “uma grande riqueza”, visível numa exposição que é inaugurada hoje, no Museu Berardo, em Lisboa.

“Modernismo Brasileiro, Obras da Coleção Edson Queiroz” é o título desta exposição, com inauguração prevista para as 19:00, que reúne obras de pintura e escultura criadas entre as décadas de 1920 e 1960, produzidas por artistas brasileiros e por estrangeiros residentes no país.

Numa visita guiada para jornalistas, realizada na terça-feira, a curadora da mostra, Regina Teixeira de Barros, declarou que a exposição apresenta uma seleção de uma das mais importantes coleções de arte do Brasil, que é apresentada pela primeira vez na Europa.

Embora tenha recebido muitas influências externas, sobretudo europeias, alguns dos modernistas também foram à procura da sua própria identidade, como foi o caso de Candido Portinari, que explorou questões políticas e sociais ligadas à miscigenação, ou à vida difícil dos trabalhadores.

Outros artistas interessados na busca de um imaginário próprio para o país foram Tarsila do Amaral, Cícero Dias e Di Cavalcanti.

Entre as pinturas e esculturas presentes na exposição, encontram-se obras que vão da primeira fase moderna no Brasil, ainda com formação europeia -- como Lasar Segall, Flávio de Carvalho, Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret --, até ao aparecimento do manifesto neoconcreto carioca, na segunda metade do século XX.

Regina Teixeira de Barros salientou ainda o período do final dos anos 1940 e anos 1950, em que se verificou um grande impulso nas artes, com a criação de importantes museus de Arte Moderna no Rio de Janeiro e em São Paulo, e também o surgimento da Bienal Internacional de São Paulo.

Na exposição, é também possível encontrar uma “ligação afetiva” a Portugal, com a presença de uma única obra de arte portuguesa: “Intérieur” (1951), óleo sobre tela de Maria Helena Vieira da Silva, que viveu no Rio de Janeiro com o marido, Arpad Szénes.

A seleção também aponta para as novas vertentes abstratas e formais do pós-guerra, cujos representantes são Alfredo Volpi, José Pancetti e Maria Leontina.

O percurso da mostra encerra com a produção das décadas de 1950 e 1960, com uma diversidade de expressões artísticas, com obras de Ivan Serpa, Tomie Ohtake e Iberê Camargo, como nas propostas radicais de artistas que tinham participado no movimento neoconcreto carioca.

A Coleção Edson Queiroz, na posse da fundação homónima, sediada em Fortaleza, no Brasil, possui um acervo que percorre cerca de 400 anos de produção artística.

A exposição ficará patente em Lisboa até ao dia 11 de fevereiro de 2018.

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