Estatísticas permitem fazer retrato de Portugal e deixar mitos

20 Out 2017 / 08:30 H.

As estatísticas permitem elaborar um retrato de Portugal e derrubar alguns mitos ao perceber que não é um país pequeno, em superfície ou população, nem é um país de doutores e engenheiros, disse hoje a responsável da Pordata.

“Sabemos que Portugal, no contexto da União Europeia [UE], não ocupa uma posição determinada, não somos sempre nem os piores nem os melhores nem os assim-assim, isto vai variando consoante as áreas e os setores”, referiu a diretora da Pordata, Maria João Valente Rosa.

“Muitas vezes dizemos [que] Portugal é um país pequeno e, olhando para dois indicadores que estão no retrato, podemos concluir que Portugal, de facto, não é um país pequeno”, quer em termos de superfície - é o 13.º país em termos de área, nos 28 [Estados-membros da UE] -, [ou] no que diz respeito à população - Portugal ocupa o 12.º lugar, é o 12.º país mais populoso da UE, especificou.

A especialista falava à agência Lusa a propósito do lançamento do “Retrato de Portugal na Europa”, uma publicação da Fundação Francisco Manuel dos Santos produzida pela Pordata, para assinalar o Dia Europeu das Estatísticas, que hoje se assinala.

O documento junta cerca de 90 indicadores de Portugal e dos restantes Estados-membros da UE divididos por 11 áreas, como população, rendimento, educação, saúde, emprego, proteção social, ciência ambiente ou transportes.

“As estatísticas contam as histórias que somos e ajudam-nos a conhecermo-nos melhor” esclarecendo alguns mitos e ideias de Portugal no contexto da UE, defendeu Maria João Valente Rosa.

Além da dimensão, “uma outra ideia que muitas vezes se tem é que Portugal é um país de doutores e engenheiros e não é verdade. Olhamos, por exemplo, para os níveis de escolaridade da população de Portugal e percebemos que estamos muito mal posicionados no quadro da UE”, exemplifica.

Na área do emprego, sobre a percentagem de empregadores que tem no máximo o ensino básico, “percebemos que a maioria, 53% dos empregadores em Portugal, tem no máximo o 9.º ano de escolaridade enquanto que, na Europa, a maioria dos empregadores tem o secundário ou ensino superior. Neste indicador somos os piores da Europa”, realçou a diretora da Pordata.

A especialista salientou que “não é necessariamente em tudo” que Portugal é um país do sul.

E explicou: “existem áreas em que Portugal está muito distante de alguns países do sul da Europa, por exemplo, na percentagem de nascimentos fora do casamento - a maioria dos nascimentos em Portugal já são fora do casamento, estamos muito próximo de países do norte da Europa, como a Suécia, e longe de países como a Itália ou a Grécia”, apontou.