Especialistas querem uma autoridade que tutele Caminho Português para Santiago

29 Mai 2018 / 10:02 H.

A criação em Portugal de uma autoridade que tutele os trajetos nacionais ligados aos Caminhos de Santiago é uma das vontades dos especialistas, académicos e agentes autárquicos que vão reunir-se num congresso na Maia a partir de sexta-feira.

Ao todo serão apresentadas 15 comunicações quer por especialistas portugueses, quer espanhóis e também um francês num Congresso Internacional que visa debater estratégias para consolidar o Caminho Português da Costa, descreveu à Lusa a organização.

Este será um momento de balanço face a um projeto que tem dez anos e envolve dez municípios - do Porto a Valença, passando por Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha e Vila Nova de Cerveira - e que teve comparticipação de fundos europeus num total de 2,1 milhões de euros.

“O caminho português pela costa é o caminho de Santiago que mais cresce neste momento e para isso muito contribuiu esse projeto, essa candidatura. Mas é preciso continuar, não deixar o projeto parar. O compromisso de continuidade é o grande desafio deste momento”, defendeu o vereador da Câmara da Maia, Paulo Ramalho.

Partindo da convicção de que o caminho português da costa “tem dimensão religiosa e cultural, mas também uma vertente turística e económica muito forte”, o autarca defende que “o Estado português tem uma palavra a dizer e não deve descurar estas potencialidades”.

Opinião semelhante tem José Maia Marques, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável, que acredita que do congresso que decorre no auditório da Maia, distrito do Porto, sexta-feira e sábado, surgirá um “grupo de trabalho formal ou informal com o objetivo de trabalhar na criação de uma autoridade que tutele e uniformize o caminho”.

“Essa deverá ser com certeza uma das conclusões do congresso, as quais serão apresentadas aos congressistas, comunicação social, Presidência da República, Governo, Ministérios da Cultura, Ambiente e Economia. Os espanhóis têm o Xacobeo. Nós precisamos pelo menos do Xacobeozinho. Uma espécie de federação dos Caminhos que evite que se perca o trabalho dos últimos dez anos”, disse José Maia Marques.

O responsável do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável avançou que está a ser preparado um estudo sobre a afluência de peregrinos ao caminho da costa portuguesa, sendo que, de acordo com o vereador da Maia, em 2016 este trajeto foi percorrido por cerca de 2.600 peregrinos, um número que quase triplicou em 2017 com 7.300 peregrinos. “E estamos convencidos que em 2018 o valor vai ser duplicado”, disse Paulo Ramalho.

Reforçando a ideia de que este é um caminho com potencial, o vereador apontou que “um peregrino por muito pouco dinheiro que gaste, gasta sempre 30 a 40 euros por dia”, acrescentando que “o peregrino não faz só o caminho, também aproveita para visitar os monumentos e as paisagens que vai encontrando”.

“E se calhar regressa mais tarde a Portugal com a família a um território específico que lhe despertou atenção”, referiu.

No âmbito do projeto que reuniu os esforços dos dez municípios foi criado um ‘site’ - o www.caminhoportuguesdacosta.com - que entrou em funcionamento no verão de 2017 e até maio deste ano teve 51.000 visitas de 121 países.

Paralelamente é possível descarregar uma aplicação com rota do caminho e informações do percurso como albergues, entre outras, e foi lançado um guia, bem como um livro com comunicações científicas.

A segurança do peregrino, a visibilidade do caminho, a sinalização e o desenvolvimento sustentável são alguns dos temas a abordar no congresso.

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