Empresa portuguesa quer propor ao Governo sistema de alerta precoce de incêndios

Lisboa /
09 Nov 2017 / 12:53 H.

A empresa portuguesa PH Informática está, desde Abril, à espera de ser recebida pelo Governo para apresentar um novo sistema que permite ao cidadão comum detectar precocemente um incêndio e, através de uma aplicação móvel, comunicá-lo às autoridades.

Presente na Web Summit com expectativa de estabelecer contactos com governantes portugueses, o presidente executivo da PH Informática, Hugo Dias, disse à Lusa ter uma “estratégia muito útil” para propor ao Governo na prevenção dos incêndios e ajudar a evitar que se repitam as tragédias do passado verão.

“Começámos a aprofundar esta estratégia ainda antes das catástrofes deste ano e pedimos, em abril, uma reunião com o Governo para apresentar o nosso projecto, mas até hoje ainda não obtivemos resposta”, lamentou Hugo Dias.

A Plataforma Inovadora para Detecção Precoce de Incêndios florestais consiste numa aplicação que permite a qualquer pessoa que detecte um foco de incêndio, ou aviste fumo, registá-lo através do telemóvel e, em três segundos, enviar a informação e as coordenadas da localização para as autoridades distritais.

“As pessoas agora estão muito atentas e querem ajudar, então, qualquer pessoa pode ser vigilante e ajuda as autoridades a terem o local exacto da ignição, porque a única forma de combater eficazmente um incêndio é se for detectado logo cedo”, explicou Hugo Dias.

O grande objectivo da empresa é que o Governo acolha a ideia, mas, se não tiver sucesso, o responsável garante que o projecto não ficará na gaveta.

“Pelo menos que nos oiçam. Nem que depois nos digam que a estratégia não passa por aqui, mas ao menos que vejam o que temos. Uma coisa é certa, se não conseguirmos que a ideia fique no nosso país, já temos contactos em Espanha, mas não me passa pela cabeça que não nos recebam, pelo menos”, adiantou.

Além disso, acrescentou, o sistema é “bem mais económico em relação a, por exemplo, o dinheiro gasto nos ‘drones’”.

“O Governo gastou quase seis milhões de euros em 30 e tal ‘drones’ com sensores de calor para detectar incêndios, mas a nossa proposta, que é realmente eficaz, não tem, nem de perto nem de longe, esses valores”, sustentou.

Hugo Dias sabe que as tragédias de Pedrógão Grande e de outubro despertaram mais a consciência das autoridades e, por isso, tem “grandes expectativas”.

“Não queremos impor nada. Esta é uma solução aberta, que pode ser articulada com outros sistemas, consoante o que o Governo considerar melhor”, concluiu.

O sistema que, por enquanto, quer ficar em Portugal, admite, na próxima edição do Web Summit, em 2018, ter como objectivo a internacionalização.

A Web Summit, que decorre no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa, termina hoje.

Segundo a organização, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, duas mil ‘startups’, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.

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