Electrodomésticos para reciclagem são “roubados” e prejudicam a camada de ozono

15 Set 2018 / 20:10 H.

A associação ambientalista Quercus exige que haja um registo das entidades autorizadas a entregar para reciclagem frigoríficos ou outros equipamentos de refrigeração, alegando que “há roubos” de compressores para sacar cobre, o que desencadeia contaminação ambiental.

Em véspera do Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozono, Carmen Lima, dirigente da Quercus, relatou à Lusa que muitos dos frigoríficos que seriam para reciclagem são “alvo de saque” dos compressores, que contêm cobre, e que ao serem desmantelados sem as devidas cautelas têm “um enorme impacto ambiental”.

“Há roubo de compressores, o que é muito grave. O roubo acontece porque se procura o cobre, que é valioso. Mas quando se saca o compressor do eletrodoméstico, libertam-se os CFC” [químicos sintéticos denominados clorofluorocarbonetos e que contribuem para o buraco do ozono]”, afirmou Carmen Lima.

A ambientalista ressalva que é muito difícil comprovar como se dá o roubo do material, podendo mesmo haver casos de equipamentos colocados na rua para serem recolhidos pelas autarquias para reciclagem e aos quais são retirados os compressores.

Mas, segundo a Quercus, há muitos equipamentos que chegam às unidades de reciclagem já sem compressor ou com o sistema de circulação do gás danificado, o que mostra que permitiu fuga de poluente antes do equipamento ser submetido a um tratamento.

Além disso, quando um eletrodoméstico já sem compressor é entregue para reciclagem, deixou já de ser um resíduo perigoso.

A associação considera ainda que os recicladores e os sucateiros não deviam aceitar materiais frutos do saque destes eletrodomésticos.

Os ambientalistas entendem que os eletrodomésticos só deviam poder ser entregues aos recicladores por entidades registadas que façam o seu desmantelamento, defendendo a Quercus que haja um registo de quem pode entregar os equipamentos de refrigeração para reciclagem.

A Quercus considera grave que uma parte dos equipamentos deitados fora ainda possa libertar CFC e entende que é preciso apertar as regras e haver fiscalização.

Em Portugal, os CFC nos novos eletrodomésticos já estão proibidos, mas continuam a existir em equipamentos já usados. Para dar resposta aos equipamentos fora de uso, foram criadas entidades gestoras que devem assegurar o correto encaminhamento dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos para destinos licenciados e preparados para separar os componentes perigosos para a camada do ozono, garantindo-lhe um destino seguro.

“Mas enquanto houver falhas no processo, não conseguiremos assegurar a proteção da camada de ozono”, entende Carmen Lima.

Segundo dados da Quercus, em 2015 foram colocadas no mercado nacional 84.058 toneladas de grandes eletrodomésticos, nos quais estão enquadrados os frigoríficos e as arcas congeladoras, livres de CFC. Também nesse ano, foram recolhidas 30.540 toneladas de resíduos de eletrodomésticos de grandes dimensões.

A camada de ozono é um escudo gasoso frágil que protege o planeta das radiações solares, preservando assim a vida na Terra.

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