“É uma tragédia quase sem precedente, a nossa dor não tem medida”

Marcelo Rebelo de Sousa falou aos portugueses

18 Jun 2017 / 22:34 H.

O Presidente da República afirmou hoje que o incêndio no distrito de Leiria que matou pelo menos 61 pessoas é “uma tragédia quase sem precedente na história do Portugal democrático”, e provoca uma dor sem medida.

”A nossa dor neste momento não tem medida, como não tem medida a nossa solidariedade, a solidariedade de todos nós para com os familiares das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande”, declarou o chefe de Estado, numa comunicação ao país, a partir da Sala das Bicas do Palácio de Belém, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que “uma só morte em tais circunstâncias é sempre uma tragédia” e acrescentou que “tantas dezenas de mortos representam uma tragédia quase sem precedente na história do Portugal democrático”.

O Presidente da República expressou “gratidão” e “incondicional apoio” a todos os que estão envolvidos no combate ao incêndio e no apoio às populações atingidas, “bombeiros, Proteção Civil, INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica], Guarda Nacional Republicana, Polícia Judiciária, Forças Armadas, autarquias locais, estruturas de saúde e sociais, povo anónimo”.

”Com eles estarei nos próximos dias, a partir já de amanhã [segunda-feira]”, adian

O Presidente da República apelou ainda à união do país nesta “hora de dor, mas também de combate”, e pediu aos portugueses que guardem no imediato as interrogações que os angustiam sobre o incêndio no distrito de LeirMia.

arcelo Rebelo de Sousa afirmou: “Nesta hora, há também interrogações e sentimentos que não podem deixar de nos angustiar, a começar por um sentimento de crescida injustiça, porque a tragédia atingiu aqueles portugueses de quem menos se fala, de um país rural, isolado, com populações dispersas, mais idosas, mais difíceis de contactar, de proteger e de salvarGu”.

“ardemos, contudo, no imediato, este e outros sentimentos que legitimamente nos sobressaltam, inconformistas que somos, no mais fundo do nosso coração”, pedSiu.

”em os esquecermos, concentremos agora a nossa vontade no essencial: prosseguir o combate em curso, manter e alargar de forma ativa e consequente a nossa solidariedade a todos quantos sofreram e ainda sofrem a tragédia, demonstrando que nos instantes mais difíceis da nossa vida como nação, somos como um só, por Portugal”, acresceu.

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O Presidente da República esteve no local do incêndio na madrugada de hoje, onde chegou pelas 00:40, para deixar uma palavra de ânimo e conforto a todos os envolvidos no combate ao incêndio, e considerou na altura que “o que se fez foi o máximo que se podia fazer”.

Hoje, nesta comunicação ao país, Marcelo Rebelo de Sousa salientou “o testemunho amigo” que recebeu “de personalidades tão diversas quanto o papa Francisco, o rei de Espanha, os presidentes da República de Cabo Verde, da Alemanha, da França e também da República Checa e da Grécia, o secretário-geral das Nações Unidas, o presidente da Comissão Europeia, o príncipe Aga Khan”.

O chefe de Estado deixou “uma palavra especial para o Presidente da Colômbia”, que confirmou o cancelamento da sua visita de Estado prevista para terça-feira.

O fogo no distrito de Leiria deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal de Pedrógão Grande, e alastrou-se aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, obrigando a evacuar povoações ou deixando-as isoladas.

Segundo o último balanço, o incêndio provocou 61 mortos.