Críticas de PSD e CDS “aquecem” debate com António Costa em Estrasburgo

14 Mar 2018 / 12:15 H.

O debate de hoje com o primeiro-ministro sobre o futuro da Europa em Estrasburgo “aqueceu” com críticas do PSD e CDS e a resposta socialista, levando o presidente do Parlamento Europeu a recordar que o debate não era nacional.

Na fase de perguntas e respostas após a intervenção inicial de António Costa, intervenções mais críticas dos deputados Nuno Melo (CDS) e Paulo Rangel (PSD) suscitaram queixas da delegação do PS, por ter sido dada a palavra a quatro deputados portugueses do Partido Popular Europeu (PPE) -- também intervieram José Manuel Fernandes (PSD) e José Inácio Faria (Partido da Terra) -- e a nenhum socialista (Maria João Rodrigues interveio, mas como líder interina da bancada dos Socialistas Europeus).

O presidente do Parlamento, Antonio Tajani, acabaria por dar a palavra ainda ao líder da delegação do PS, Carlos Zorrinho, mas recordando, num tom impaciente, que o debate no hemiciclo de Estrasburgo não era sobre Portugal e que António Costa era perfeitamente “capaz de se defender das críticas” na sua intervenção final.

O debate começou a “aquecer” a nível interno quando Nuno Melo questionou António Costa sobre a sua defesa de novos impostos europeus, perguntando ao primeiro-ministro se, como este afirma, os portugueses não serão taxados, se “serão porventura os marcianos”.

Apontando que, quando o centro-direita governava e aplicava um programa de austeridade, “depois de os socialistas arruinarem as contas públicas até 2011”, o atual primeiro-ministro, então na oposição, acusava o Governo PSD/CDS-PP de “ir além da troika”, Melo lamentou que “hoje, o primeiro-ministro de uma assentada quer que se lancem três impostos de uma só vez”.

“Eu queria dizer ao senhor primeiro-ministro: o senhor primeiro-ministro não vai além da ‘troika’, o senhor primeiro-ministro é a ‘troika’ sem ‘troika’. Governe melhor, consiga gerir bem o seu orçamento e não tribute mais os portugueses, que já pagam demasiados impostos”, disse.

Pouco depois, o líder da delegação do PSD, Paulo Rangel, começando por saudar o “discurso pró-europeu” de Costa, mas lamentando “que os seus parceiros de coligação sejam totalmente antieuropeus”, criticou também o que classificou como uma “porta aberta” deixada pelo primeiro-ministro “a um grande aumento da carga fiscal sobre os cidadãos contribuintes”.

Apontando ainda que é verdade que Portugal regista o défice mais baixo de sempre, “mas também o investimento público mais baixo de sempre”, Rangel perguntou a Costa se, “tendo agora oportunidade de reprogramação dos fundos europeus, está disposto a fazê-lo de uma maneira para que prevenção dos fogos e apoio a zona afetadas sejam altamente privilegiados”, depois da tragédia sem precedentes de 2018, só possível devido a um desinvestimento.

Ao ser-lhe dada a palavra antes da resposta do primeiro-ministro, Carlos Zorrinho comentou que se assistiu a “um magnífico debate sobre o futuro da UE”, lamentando que, tendo sido dada a palavra a quatro deputados portugueses do PPE, estes “infelizmente não tenham aproveitado esse tempo para discutir o futuro da Europa, mas para discutir o passado de Portugal, que ninguém quer, ninguém relembra e de que ninguém tem saudades”.

Na sua intervenção final, António Costa reafirmou que Portugal aceita contribuir com mais dinheiro para os cofres europeus, mas apontou que, precisamente para que o necessário reforço do orçamento da UE no pós-’Brexit’ não seja feito unicamente através de aumentos das transferências dos Estados-membros “à custa dos impostos dos seus nacionais”, é necessário aumentar igualmente os recursos próprios através de impostos sobre o conjunto da economia europeia.

O primeiro-ministro defendeu que novos impostos europeus só serão eficazes à escala europeia, pois nenhum país vai conseguir taxar com efetividade as multinacionais americanas do digital, por exemplo, e disse ainda esperar que haja finalmente a “coragem de aprovar a taxação sobre as transações financeiras”.

António Costa foi o terceiro líder europeu a participar no ciclo de debates promovido pelo Parlamento Europeu sobre o Futuro da UE, iniciado este ano, depois dos primeiros-ministros da Irlanda, Leo Varadkar, em janeiro, e da Croácia, Andrej Plenkovic, em fevereiro, e antes do Presidente francês, Emmanuel Macron, o “convidado de honra” da sessão plenária de abril.

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