Costa afirma que muda o líder do PSD mas o discurso continua no passado

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04 Out 2017 / 18:18 H.

O primeiro-ministro afirmou hoje que já mudou o líder parlamentar do PSD e que em breve mudará o líder social-democrata, mas considerou que o discurso deste partido continua “preso” no passado, sem “nada” ter aprendido.

Esta posição foi assumida por António Costa na sequência de uma intervenção do líder parlamentar do PS, Carlos César, que iniciou as críticas ao estilo de actuação política do novo presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, logo na fase inicial do debate quinzenal na Assembleia da República.

Na fase inicial deste debate, na parte entre o PSD e o primeiro-ministro, Hugo Soares referiu-se às consequências (sobretudo económico-financeiras) que os governos de José Sócrates tiveram no país.

Cerca de uma hora depois, o líder parlamentar do PS e o primeiro-ministro voltaram à carga contra esse tipo de intervenção de Hugo Soares, mas desta vez relacionando-o com os resultados do PSD nas eleições autárquicas de domingo passado.

“Apesar de o senhor deputado Hugo Soares estar neste momento ao telefone, não posso deixar de registar que, efectivamente, a oposição nada aprendeu nem nada esqueceu. Já mudaram de líder parlamentar e parece que agora estão para mudar de líder partidário, mas parece que não muda o pensamento e o seu discurso, que continuam presos no passado”, afirmou António Costa.

Já Carlos César começou por frisar que o PS teve no domingo passado “uma impressionante vitória, com mais votos, mais percentagem, mais presidências de órgãos autárquicos e mais mandatos”.

“Foi o melhor resultado de sempre do PS, que sozinho teve mais votos do que toda a direita [PSD/CDS-PP]. O PSD teve o seu pior resultado de sempre. Aliás, a intervenção de hoje do líder parlamentar do PSD explica muitas das razões que deram lugar a essa votação deprimente”, sustentou o presidente do PS.

Segundo Carlos César, o PSD “acha que deve fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes”, e o CDS-PP sozinho, no domingo passado, “teve menos percentagem, menos votos e menos mandatos do que nas últimas eleições autárquicas” em 2013.

Já em relação às forças da esquerda que suportam o Governo no parlamento, o líder da bancada socialista apontou que tiveram somadas “quase mais um milhão de votos do que a direita, coligada ou não”.

“Embora não se tratando de eleições legislativas, estas autárquicas, tal como afirmou o líder do PSD [Pedro Passos Coelho na terça-feira à noite], têm uma leitura e um significado nacional. Essa leitura só pode ser a derrota da direita passadista e a aprovação do desempenho do Governo liderado pelo PS”, acrescentou Carlos César.

A seguir, numa atitude de simpatia em relação às bancadas do BE e do PCP, o primeiro-ministro considerou que uma das razões para o decréscimo da abstenção se relacionou com o fim do chamado “arco da governação”, ou seja, da concepção de que o voto para ser efectivamente útil só podia ser no PS, PSD e CDS-PP.

“A solução de Governo gerada há dois anos nesta Assembleia da República permitiu uma reconciliação do Governo com as instituições e com a vida democrática. Hoje há mais confiança nas potencialidades deste parlamento gerar soluções plurais”, defendeu.

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