Conselho Geral diz que RTP deve desenvolver “estratégia centrada na qualidade dos conteúdos”

Lisboa /
06 Fev 2018 / 03:40 H.

A RTP deve “desenvolver uma estratégia centrada na qualidade dos conteúdos a que os cidadãos têm acesso e na relação com a sociedade e o mundo”, considera o Conselho Geral Independente (CGI) nas Linhas de Orientação Estratégica 2018-2020.

De acordo com o documento, que servirá de base ao Plano Estratégico que será desenhado pela nova administração da RTP, a empresa de rádio e televisão pública deve ter uma “gestão orientada para os objetivos do serviço público”, “próxima dos cidadãos e aberta à sociedade e ao mundo”, que “defende o rigor informativo e o pluralismo”, que “promove conteúdos de qualidade e inovadores” e que “aposta nas novas plataformas digitais”.

De acordo com o CGI, “a RTP, enquanto serviço público, tem de contribuir ativamente para a formação cultural e cívica dos portugueses e para a construção de uma sociedade livre, pluralista e democrática” e “tem que induzir mudança pelo que faz e pelo modo como faz”.

No que respeita à linha estratégica da gestão orientada para os objetivos do serviço público, o CGI considera que a RTP deve “assegurar um clima interno e externo de estabilidade, de reconhecimento e de mobilização da empresa”; “criar condições para a motivação dos trabalhadores e colaboradores, a todos os níveis”; bem como “definir, assumir e pôr em prática uma ética de empresa, orientada para a prossecução do serviço público de media”.

Além disso, deve fazer da RTP “um modelo de organização responsável e eficaz, no atual quadro de financiamento, racionalizando gastos e aumentando a transparência”; desenvolver um sistema de gestão que permita “o reporte de informação no interior” da empresa; desenvolver “um conjunto de novos indicadores de desempenho adequados ao serviço público de media; e “estudar a possibilidade de criação de um Gabinete de Planeamento e Controlo como garante de monitorização e apoio à administração”.

Deve também “identificar áreas e setores de carência e outros desequilíbrios existentes dos recursos humanos e técnicos”; negociar os contratos de fornecimento de conteúdos de forma transparente; “manter e aperfeiçoar um processo de concursos de propostas de produção que seja claro”; “ser exigente na assunção das suas responsabilidades em termos de desenvolvimento sustentável”, como também “desenvolver a prática de avaliação em todos os setores e a todos os níveis da empresa, com metas e resultados claramente definidos, quer do ponto de vista qualitativo, quer quantitativo”, lê-se no documento.

Para ser uma empresa próxima dos cidadãos e aberta à sociedade e ao mundo, a RTP deve desenvolver uma estratégia integrada que, não descurando os grandes públicos, comunique com públicos específicos; promover a dignidade e os direitos de pessoas com deficiência, expandindo a sua oferta de conteúdos adaptados; promover a literacia mediática, definir uma política de transparência e de informação sobre a sua atividade; desenvolver os mecanismos necessários à facilitação dos conteúdos dos cidadãos com a empresa através do telefone e da Internet; tal como incentivar a reestruturação, relançamento e renovação dos programas regionais, nomeadamente da RTP Madeira e da RTP Açores.

Programação mais rica em informação para as comunidades de língua portuguesa, desenvolvimento de iniciativas que promovam a dimensão estratégica das antenas internacionais da rádio e televisão, a criação de um catálogo de programas de produção próprio de rádio para uso das rádios de língua portuguesa, investir em coproduções internacionais e desenvolver “um barómetro de qualidade, credibilidade e notoriedade para RTP” e “realizar regularmente estudos sobre o serviço público de media” que permitam à empresa conhecer melhor os seus públicos são outras das metas.

No que respeita ao rigor informativo e pluralismo, o CGI traça, entre várias metas, a reestruturação de programas de informação diária e não-diária, “em que, não obstante o nível de qualidade atingido, se reconheça a necessidade de rejuvenescimento” e o desenvolvimento da “identidade da RTP3, sublinhando o seu caráter eminentemente informativo e capaz de assegurar uma reação ágil aos acontecimentos”.

Sobre a promoção de conteúdos de qualidade e inovadores, o CGI afirma que cabe à RTP “estimular a produção interna de conteúdos”; “dinamizar a produção independente, promovendo a criação e desenvolvimento de conteúdos originais e inovadores, provenientes de produtores diversificados”, como também “dinamizar encontros periódicos entre profissionais do setor da produção que potenciem a troca de experiências, a inovação e o desenvolvimento de redes colaborativas”, entre outros.

Relativamente à aposta nas novas plataformas digitais, a RTP deve “aprofundar a experiência de convergência de conteúdos entre a rádio, a televisão e o multimédia”; “procurar novas sinergias entre rádio, televisão e Internet, salvaguardando as linguagens próprias e as especificidades de cada um destes meios”; como também “desenvolver uma política de formação e de recrutamento que corresponda às necessidades de modernização”; e “investir na formação contínua com especial atenção às novas valências, designadamente gestores de redes sociais, jornalistas infográficos, jornalistas de dados, produtores de vídeo para plataformas digitais”, entre outros.

O CGI, órgão de supervisão e fiscalização interna do cumprimento das obrigações do serviço público da RTP, anunciou em 25 de janeiro que convidou o atual presidente da empresa, Gonçalo Reis, a apresentar um Projeto Estratégico para o triénio 2018-2020.

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