“Chocado ficou o país”, afirma Marcelo

O Presidente da República condenou o “diz que disse especulativo” no rescaldo dos trágicos incêndios de dia 15

26 Out 2017 / 14:39 H.

Quando questionado sobre se encontra razões para o Governo estar chocado com a sua actuação, o Presidente da República respondeu que “chocado ficou o país com a tragédia vivida” nos incêndios e condenou o “diz que disse especulativo”.

“Há duas maneiras de encarar a realidade. Uma maneira é o diz que disse especulativo de saber quem ficou mais chocado: se foi A com o discurso de B, se foi B com o discurso de A. E, depois, há uma segunda maneira, que é a de compreender que chocado ficou o país com a tragédia vivida, com os milhares de pessoas atingidas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

“Eu entendo que a forma correcta é a segunda e que quem olha para a realidade do diz que disse especulativo não entendeu e não entende nada do que se passou em Portugal nas últimas semanas”, acrescentou, em declarações na ilha Terceira, nos Açores, tendo ao seu lado o ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes.

O chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas falava no Miradouro da Serra do Facho, onde assistiu a manobras do exercício militar “Lusitano 2017”, em resposta aos jornalistas, que o questionaram a propósito da notícia que está hoje na capa do Público, intitulada “Governo chocado com Marcelo: ‘As coisas estavam combinadas’”.

O Segundo o chefe de Estado, o importante é o país “que, naturalmente, esperou uma palavra dirigida às vítimas e que espera, com urgência, reparação, reconstrução e olhar para o país atingido”.

Marcelo Rebelo de Sousa insistiu que “há uma urgência” na reconstrução, “porque esse país não pode ser esquecido sistematicamente” e porque “faltam menos de dois anos para o termo da legislatura deste parlamento e deste Governo”.

Interrogado se a relação de confiança entre os órgãos de soberania Governo e chefe de Estado ficou afectada, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a não dar uma resposta directa a esta questão, que desvalorizou, defendendo que “os portugueses esperam que o Presidente coloque o essencial muito acima daquilo que não tem importância nenhuma”.

“E o essencial são as vidas desaparecidas, são as vítimas que esperam a reconstrução, a reparação, o recomeço da sua existência. Tudo o resto, com o devido respeito, parece-me totalmente irrelevante, totalmente irrelevante”, considerou.

Confrontado com o facto de o jornal oficial do PS, “Acção Socialista”, ter publicado um artigo de opinião do jornalista Simões Ilharco que também critica a sua actuação, acusando-o de encaminhar o sistema político português para o presidencialismo, Marcelo Rebelo de Sousa nada mais quis acrescentar, remetendo para a sua resposta inicial.

O chefe de Estado encontra-se nos Açores desde quarta-feira, e ficará na região até sábado, para visitar as duas ilhas do grupo oriental, Santa Maria e São Miguel, completando assim o périplo que fez em Junho pelas outras sete ilhas do arquipélago.