Bloco preocupado por PS não apresentar propostas para responder a incêndios

13 Nov 2017 / 04:12 H.

O BE está preocupado por o PS ainda não ter iniciado o debate de propostas para o Orçamento do Estado para responder aos fogos florestais, mas os bloquistas não se demitirão das suas responsabilidades, disse Catarina Martins.

“Preocupa-nos muito que a uma semana de entregar propostas na especialidade para o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), o PS, o partido que está no Governo” e, portanto, tem essa responsabilidade (o Governo já não o pode fazer), “não tenha ainda começado a debater o pacote de respostas aos fogos florestais”, que o Orçamento prevê, afirmou hoje, em Coimbra, a coordenadora do BE, na sessão de encerramento do terceiro ‘Fórum Floresta - Que políticas públicas?’.

Para responder à “tragédia dos fogos”, há “uma de duas maneiras: com coordenação entre as forças políticas para apresentarem medidas pensadas, estruturadas, que respondam tanto à urgência social, como à reconstrução do território, como à nova própria forma de prevenção e de defesa da floresta” e meios para a Proteção Civil, ou através de propostas avulsas, considerou Catarina Martins.

Mas, “as medidas avulsas, da direita à esquerda, por muito bondosas que sejam”, não “terão capacidade de fazer as mudanças de que o país precisa”, sustentou.

Para o Bloco de Esquerda (BE), a coordenação de medidas “é a resposta certa, é essencial e é responsabilidade do PS dar algum passo para que isso aconteça”, mas, se não acontecer, os bloquistas não se encolherão “perante nenhuma responsabilidade” e vão, “naturalmente, apresentar as propostas que tiverem de ser apresentadas”, assegurou.

O BE vai fazer propostas e “lutar medida a medida por um país que responda por quem sofreu, por um país um pouco mais justo, por um país mais seguro e que faça as mudanças concretas, para que nunca mais” volte a acontecer “um verão como o de 2017”, sublinhou.

“Temos de saber escolher e a escolha tem de ser a reconstrução do que foi perdido e a reconstrução de melhores condições, valer pelo emprego (cada emprego destruído no interior [significa] mais abandono do território), valer pelas condições de vida das pessoas, reconstruir é reconstruir as casas e é reconstruir capacidade produtiva”, de forma mais segura, mais sustentável e “em nome das populações”, acrescentou.

Por outro lado, “o Estado vai ter de entrar em terrenos privados e vai ter de os limpar”, disse.

O Estado tem de ter “a coragem de assumir” essa tarefa e de “ressarcir-se, naturalmente, dos gastos que fizer e que os privados não fizeram”, afirmou a líder do BE.

Do mesmo modo, destacou ainda Catarina Martins, também não se pode “achar normal” que “empresas privadas -- que, aliás, nunca deveriam ter sido privatizadas” --, como as energéticas EDP e REN ou de telecomunicações PT, continuem a “ter cabos por todo o território”, à sua inteira vontade e sem “sequer limparem as faixas” por onde passam esses cabos.

“É preciso cobrar a quem deve, é preciso cobrar a segurança do país e é preciso ter um Orçamento do Estado que dê ao Estado a capacidade de fazer esse trabalho” e que dê às autarquias locais “capacidade de intervir no território”.

Os terrenos abandonados não podem ser “algo que temos de aceitar porque o país é pobre e está frágil”, pois isso fará com que o Portugal fique “cada vez mais pobre e cada vez mais frágil”, concluiu Catarina Martins.