BE quer apoios para o arranque de eucaliptos que regeneram naturalmente

11 Set 2018 / 04:07 H.

O Bloco de Esquerda disse esta segunda-feira à agência Lusa que está a trabalhar numa proposta para um programa de apoio ao arranque dos eucaliptos que regeneram naturalmente e que estão a “causar problemas gravíssimos” ao ambiente.

“Vamos trabalhar em conjunto com as associações, as autarquias e com o Governo no sentido de criar este programa de apoio ao arranque do eucalipto por regeneração natural”, anunciou à agência Lusa o deputado Pedro Duarte no final de um dia de visitas e reuniões com autarcas e dirigentes associativos locais ligados à floresta e um representante da Quercus.

Depois de visitar o concelho de Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, e o Caramulo, no concelho de Tondela, distrito de Viseu, os deputados bloquistas Pedro Duarte e Carlos Matias terminaram o dia numa reunião com responsáveis, em Nelas, para ouvirem os problemas que os incêndios de 15 de outubro de 2017 causaram.

“Todas as informações que nos deram é que se isto [arranque dos eucaliptos de regeneração natural] não for feito nos próximos seis meses, tudo é muito mais difícil, têm de começar a ser utilizados meios muito mais pesados, mais caros, mais difíceis, e portanto, até ao final do ano, e se possível até á entrada do próximo Orçamento do Estado, consigamos chegar a um acordo maioritário na Assembleia da República”, projetou Pedro Duarte.

Na origem deste projecto está um “novo problema” que o anfitrião da reunião em Nelas explicou à Lusa, ou seja, “é uma situação grave para as regiões, para a floresta, para o ambiente, é grave para os apicultores também e não há capacidade para arrancar esta praga de acácias e eucaliptos e que surgiu com os incêndios” de 15 de outubro.

“É uma situação nova que requer medidas novas e urgentes e que já não são da capacidade dos produtores florestais que não têm dinheiro, nem capacidade de resolução, como é a regeneração natural do eucalipto que propagou por toda a região e o que agora parecem pequenas couves no terreno, são pequenos eucaliptos a regenerarem de forma natural”, explicou António Minhoto.

Este dirigente associativo falou em “problemas gravíssimos para o ambiente”, como é o caso dos apicultores, por exemplo, no Caramulo que, “por causa da proliferação dos eucaliptos e das acácias, estão a ser usados pesticidas para combater o gorgulho dessas plantas e isso está a destruir a produção” do mel.

“Os apicultores do Caramulo têm uma redução no nascimento da restante flora, estão com grandes dificuldades nas abelhas que poderão não aguentar-se, porque o eucalipto nem tem flor, é tão pequeno, mas mata o resto em volta”, acrescentou.

Presente na reunião, o representante da Quercus reforçou as queixas das associações locais, explicando que “são novas sementes de eucaliptos que vão entrar em pinhais, muitos que arderam, alguns podem ter ficado afectados, mas vão crescer mais plantas no meio, ou seja, vai crescer a dificuldade de gerir e depois a prazo vai ter também problemas de rendimento para o proprietário”.

Pedro Duarte acrescentou que “este programa de apoio ao arranque deve ter em paralelo o apoio à reflorestação”.

“Há plantação de folhosas que não seja o eucalipto e o pinheiro para criar esta diversidade florestal que é fundamental que seja feita” em todo o país.

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