BCP aumenta lucros para 186,4 milhões de euros em 2017

15 Fev 2018 / 01:12 H.

O BCP teve lucros de 186,4 milhões de euros em 2017, cerca de oito vezes os 23,9 milhões de euros conseguidos em 2016, divulgou hoje o banco.

Em conferência de imprensa em Lisboa, o presidente do banco, Nuno Amado, atribuiu a melhoria dos resultados à “evolução favorável da atividade em Portugal”, que em 2017 passou a dar lucros, nomeadamente à redução das provisões e imparidades.

O banco destacou, sobretudo, redução dos activos problemáticos (NPE - Non-Performing Exposures em inglês) em 1.800 milhões de euros o ano passado, passando para 6.800 milhões de euros no final de 2017, acima dos objectivos traçados (de reduzir os NPE para 7.500 milhões de euros).

Quanto aos principais indicadores da conta de resultados, em termos consolidados, a margem financeira aumentou 13,1%, para 1.391,3 milhões de euros em 2017 e as comissões subiram 3,6%, para 666,7 milhões de euros. Dentro destas, as comissões bancárias aumentaram 2,7%, para 546,6 milhões de euros.

O presidente do BCP desvalorizou hoje o tema das comissões cobradas pelo banco, indicando que apenas na operação em Portugal as comissões totais subiram uns ligeiros 0,2%, para 455,5 milhões de euros, e que apenas as comissões bancárias caíram 1,2%, para 392,2 milhões de euros.

Contudo, em resposta aos jornalistas, Amado admitiu que este ano poderá haver “alguma evolução” nas comissões cobradas.

Quanto ao produto bancário, esse subiu 4,8%, para 2.197,5 milhões de euros.

Já os custos operacionais (excluindo efeitos extraordinários) mantiveram-se praticamente estáveis em 968,4 milhões de euros, com o banco a referir que “as poupanças realizadas na actividade em Portugal foram anuladas pelo aumento de custos verificado na actividade internacional”.

Também os custos com pessoal (sem efeitos extraordinários) ficaram praticamente inalterados, descendo uns ligeiros 0,3%, para 540,8 milhões de euros.

Em 2017 saíram do BCP 144 trabalhadores, tendo o banco 7.189 funcionários no final do ano passado.

Quanto a agências, o banco tinha em dezembro passado 578 em Portugal, menos 40 do que em 2016.

Olhando para o balanço, os recursos de clientes (em que se incluem os depósitos) subiram 6,6%, para 71.386 milhões de euros, enquanto o crédito total caiu 1,6%, para 50.995 milhões de euros.

Apenas em Portugal, o crédito diminuiu 3,5%, para 37.996 milhões de euros.

Contudo, diz o banco, a carteira de crédito de qualidade cresceu em 2017, o que “já não sucedia há oito anos”, atribuindo essa melhoria ao crescimento dos novos empréstimos a particulares.

Já no crédito a empresas, o BCP destaca a diminuição do peso das actividades de construção e imobiliárias.

As imparidades para crédito caíram 44%, para 623,7 milhões, e as outras imparidades e provisões desceram 37%, para 301,1 milhões de euros.

O presidente do BCP afirmou hoje que não há “uma situação de bolha de preços” no mercado de habitação, considerando que as situações são distintas entre regiões, mas garantiu que, como sempre, o BCP cumprirá as recomendações do Banco de Portugal na concessão de empréstimos.

Por fim, o BCP fechou 2017 com um rácio de solvabilidade CET1 de 11,9%, com as regras de cálculo totalmente executada, acima dos 9,7% de 2016.

Dos lucros conseguidos pelo BCP em 2017, 39 milhões de euros vieram da actividade em Portugal (que em 2016 tinha tido prejuízos de 157,3) e 146,2 milhões de euros das actividades internacionais, uma diminuição face ao ano anterior devido à exposição a Angola, que passa por uma momento económico difícil, onde o BCP é um dos acionistas do Banco Millennium Atlântico). O restante resultado é atribuído a atividades em descontinuação.

O BCP tem como principais acionistas o grupo chinês Fosun, com cerca de 25%, e a petrolífera Sonangol, com cerca de 15%. As autoridades angolanas estão a avaliar o que fazer com o investimento no banco.

O presidente do BCP disse hoje que o banco ainda não sabe quando distribuirá dividendos, se será em 2019, referente aos resultados de 2018 ou em 2020, referente a 2019.

Nuno Amado foi também questionado, na conferência de imprensa, sobre a eventual venda total ou parcial da SIBS (a empresa que gere a rede Multibanco), referindo que é um “assunto entre accionistas”, escusando-se a revelar a posição do BCP.

O gestor disse apenas que a SIBS é “uma entidade de elevado valor”, que deve “manter uma base forte portuguesas”, independentemente da recomposição accionista.

A 01 de fevereiro, o presidente do Santander Totta disse que o banco que lidera não irá vender a sua posição na SIBS.

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