Assunção Cristas defende criação de cartão social do bombeiro

26 Out 2017 / 15:23 H.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu hoje a criação do cartão social do bombeiro, com vantagens que incentivem ao voluntariado, de forma a que não falte quem proteja as populações em caso de incêndios.

Ao apresentar, em Fornelo do Monte, no concelho de Vouzela, as propostas feitas ao Governo na sequência dos incêndios que deflagraram no dia 15 de Outubro, Assunção Cristas disse ser importante perceber “o que já existe e o que é preciso criar ou recriar” para garantir que as pessoas sintam “que vale a pena ser bombeiro” e que têm “algum estímulo e alguma vantagem”.

“Parece-nos muito importante, porque precisamos de todos para este combate. Precisamos das equipas profissionais e de reforçar os corpos profissionais de bombeiros, muito especializados, com conhecimento técnico muito apurado para as questões do fogo florestal e do fogo rural. Mas, continuamos a precisar de muitos bombeiros voluntários, desde logo para fazer a protecção das populações”, considerou.

A líder centrista referiu que, apesar de se dever fazer tudo o que for possível “para aumentar a profissionalização dos bombeiros e dos corpos especiais”, continua a ser importante contar com o voluntariado.

“Continuamos a pensar que há espaço para todos. É preciso um trabalho muito profissional durante todo o ano na floresta e corpos específicos para atacar no imediato e na primeira hora, nos primeiros minutos, aquilo que são os fogos que deflagram e depois é preciso também quem esteja junto das populações”, acrescentou.

A presidente do CDS-PP admitiu que este ano se viveram “circunstâncias extremas” nos últimos incêndios e que, “em muitos casos, dificilmente com o melhor ordenamento as coisas poderiam ter sido de outra forma”.

Apesar disso, Assunção Cristas disse continuar a achar que “um bom ordenamento do território é muito importante” e, por isso, uma das medidas apresentadas pelo seu partido ao Governo “é que se olhe para a escala, não para cada proprietário individualizado, mas para um determinado território”.

“Que se convoquem as universidades para ajudarem a definir o que é economicamente viável do ponto de vista da escala para aí podermos ter povoamentos diversificados em que uns darão rendimento mais rápido do que outros. Mas, como são geridos em conjunto e também com uma componente agrícola e com uma componente de produção animal é possível, no seu conjunto, encontrar forma de dar rendimento aos proprietários”, explicou.

Assunção Cristas referiu que há instrumentos para que tal aconteça, mas que, “sobretudo, é preciso convocar as pessoas, aplicar as figuras jurídicas que já existem e, eventualmente, melhorar algumas para encontrar verdadeiros exemplos de reconstrução do território”.

“Acredito que hoje os proprietários estarão certamente mais disponíveis do que estiveram no passado”, por terem percebido que ou trabalham em conjunto, “ou então é muito difícil”, porque muitas vezes se tratam de “pequenas propriedades dispersas, de pessoas que não têm recursos” para voltar a investir, considerou.

Na sua opinião, “é muito importante que dê rendimentos a todos desde o ano zero”, o que “pressupõe também estudar o modelo de financiamento para estes investimentos”.

Entre as medidas defendidas pelo CDS-PP estão também a garantia de que “todas as despesas que foram feitas no combate aos incêndios e agora na reconstrução são dedutíveis em sede de IRS” e que “as indemnizações que empresas ou particulares possam vir a receber dos seus seguros também não sejam contabilizadas para efeito do rendimento tributado pelo Estado em sede de IRS”.

Assunção Cristas defendeu ainda a reconstrução imediata do que as chamas destruiu e que todos os que foram afectados pelos incêndios, perdendo casas e empregos, sejam acompanhados psicologicamente.