Associação de Economia Política quer melhorar políticas públicas

Mais de cem professores universitários, investigadores e doutorandos criaram a nova entidade, com a sigla APEP

28 Jan 2017 / 05:45 H.

Mais de cem professores universitários, investigadores e doutorandos criaram a Associação Portuguesa de Economia Política (APEP) para combater visões analíticas estreitas e fomentar a divulgação das investigações, para que as políticas públicas possam resultar de decisões fundamentadas.

A fundação desta associação, que se pretende académica e pluridisciplinar, foi feita na quinta-feira, dia 26, e a sua declaração de princípios divulgada por Ricardo Pais Mamede, docente no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa -Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), na sua página pessoal na rede social Facebook.

Uma das fundadoras e integrante da Comissão Instaladora da APEP, Luísa Veloso, também professora no ISCTE-IUL, afirmou à Lusa que o diálogo interdisciplinar é um objetivo: “O que procuraremos fazer é ultrapassar as barreiras entre as várias ciências sociais e alargar as formas de olhar e avaliar os fenómenos económicos”.

Outra intenção é a de melhorar a qualidade das políticas públicas, através da incorporação nestas “do estudo das várias realidades associadas a questões económicas”.

Na declaração de princípios, os fundadores declararam que “os estudos sobre os fenómenos económicos têm vindo a sofrer desde há muito de um estreitamento epistemológico, teórico, metodológico e disciplinar, que reduziu a capacidade para entender o mundo e sobre ele intervir”.

Luísa Veloso exemplificou com o indicador Produto Interno Bruto (PIB), para afirmar que “a economia é muitas vezes encarada e olhada a partir de indicadores muito restritos”, ou com o conceito de mercado, visto como “uma estrutura abstrata sem enquadramento institucional”.

Ora, “estes olhares muito restritos sobre a economia esquecem que todos os fenómenos económicos têm uma configuração institucional e contextos políticos, jurídicos, (...)”, declarou.

Insistindo neste ponto, Luísa Veloso acrescentou: “No fundo, assuntos como a crise financeira, a precariedade, a taxa de desemprego, têm de ser pensados numa perspetiva plural e pluridisciplinar. A economia, os fenómenos económicos têm de ser vistos de um ponto de vista multidimensional”.

Nascida em contexto universitário e académico, a APEP tem uma lista de base de fundadores “plural e aberta”, que reúne cerca de 130 professores e investigadores de várias instituições a nível nacional, adiantou.

Outro argumento fundador da associação é o do crescimento da ideia de uma responsabilidade ética e social dos cientistas sociais.

Luísa Veloso explicou que subjacente está a vontade de “a academia ocupar uma posição na sociedade de abertura e articulação com as várias instituições, para que os investigadores possam devolver à sociedade os seus trabalhos e a sua reflexão”.

O objetivo é divulgar o trabalho desenvolvido dentro das universidades, “para que as várias instituições sociais possam fundamentar as suas decisões e ações com base em estudos e análises rigorosas”.

No calendário da APEP está, para lá da formalização e divulgação da sua existência, um Encontro Nacional de Economia Política, em janeiro de 2018, no ISCTE-IUL.

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