A cronologia das duas semanas que mudaram a vida interna do PSD

16 Out 2017 / 04:45 H.

As últimas duas semanas mudaram profundamente a vida interna do PSD, que terá um novo presidente em janeiro, depois de Pedro Passos Coelho ter anunciado que não se recandidatava ao cargo dois dias após as autárquicas.

São os seguintes os principais momentos que ‘agitaram’ o PSD desde a noite das autárquicas:

01 de outubro

Nas eleições autárquicas, o PSD perde oito presidências de câmaras municipais face a 2013, ano em que tinha registado o seu pior resultado, ficando agora com 98 autarquias (79 sozinhos e 19 em coligação). Em termos de votação nacional, o PSD obteve, sozinho, 16,08%, dos votos, uma percentagem ligeiramente abaixo dos 16,70% de há quatro anos.

Pedro Passos Coelho foi o último líder partidário a falar na noite eleitoral: assumiu a responsabilidade por “um dos piores resultados de sempre” do PSD e admitiu não se recandidatar à liderança.

“Farei uma reflexão aprofundada sobre as condições para me submeter a um novo mandato”, disse o ex-primeiro-ministro, referindo-se às eleições diretas que já estavam previstas para o início de 2017.

03 de outubro

Passos Coelho comunica aos membros da Comissão Permanente e da Comissão Política a decisão de não se recandidatar. O anúncio formal e a explicação são feitos à noite pelo presidente do partido em Conselho Nacional, órgão máximo entre Congressos, numa intervenção excecionalmente aberta à comunicação social.

Passos Coelho argumenta que, se ficasse, “estaria em permanência a combater o preconceito e a ideia feita de que estava agarrado ao poder”, e defende que “uma nova liderança por parte do PSD e da estratégia associada terá melhores possibilidade de progressão e sucesso”.

O Conselho Nacional marca nova reunião deste órgão, para 09 de outubro, com vista à marcação das eleições diretas e do Congresso.

05 de outubro

Em comunicado, o ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro anuncia que não se candidatará à liderança do partido “por razões pessoais e políticas”, que não detalhou, e promete “total equidistância” em relação às candidaturas que viessem a surgir.

06 de outubro

Numa nota enviada à agência Lusa, o eurodeputado Paulo Rangel anuncia que não se recandidata à liderança do PSD, “por razões familiares”, adiantando que também se iria manter neutro face a futuras candidaturas.

07 de outubro

Em declarações à Lusa, o antigo líder da Juventude Social Democrata (JSD) Pedro Duarte exclui-se igualmente da corrida à presidência do partido.

08 de outubro

O antigo presidente da Câmara do Porto Rui Rio envia uma nota à comunicação social, onde informa que vai apresentar a sua candidatura à presidência do PSD em 11 de outubro em Aveiro.

“Rui Rio irá apresentar publicamente a sua candidatura à presidência do Partido Social-Democrata na próxima quarta-feira, dia 11 de outubro, que, tal como o candidato definiu, não será nem no Porto, nem em Lisboa”, é referido na nota, que adianta que se tratará de uma “declaração pública” aberta a militantes e comunicação social, mas sem direito a perguntas dos jornalistas.

09 de outubro

O Conselho Nacional do PSD aprova a realização de eleições diretas para escolher o presidente do partido a 13 de janeiro e o Congresso a 16, 17 e 18 de fevereiro.

Em cima da mesa, estavam duas propostas da Comissão Política Nacional: a que foi aprovada por “esmagadora maioria” e outra proposta que previa diretas a 09 de dezembro e congresso em janeiro, que recolheu menos de uma dezena de votos, a maioria dos quais de apoiantes de Rui Rio.

Segundo o regulamento e cronograma aprovados, caso haja mais de dois candidatos e nenhum obtenha maioria absoluta, a segunda volta das diretas realiza-se a 20 de janeiro.

O prazo limite para a entrega de candidaturas e moções de estratégia global será em 02 de janeiro de 2018 e a campanha eleitoral decorrerá entre 02 e 12 de janeiro, num total de dez dias.

10 de outubro

Pedro Santana Lopes anuncia que é candidato na SIC, no seu espaço de debate semanal com o socialista António Vitorino, pouco depois de Portugal se ter qualificado para o campeonato mundial de futebol do próximo ano, na Rússia.

“Hoje é um dia de boas noticias, Portugal ganhou e eu sou candidato à liderança do PPD/PSD”, afirmou.

Santana Lopes adiantou que só apresentará publicamente a sua candidatura na próxima semana e justificou que avança “por dever” e para evitar entregar o partido a quem passou a vida a criticar o “trabalho de salvação nacional” feito pelo anterior executivo, liderado por Passos Coelho.

Questionado sobre as diferenças em relação ao seu adversário já anunciado, Rui Rio, apontou o posicionamento político: “Eu não tenho propensão para fazer um Bloco Central”, disse, embora defendendo pactos de regime em áreas como as Obras Públicas, a Justiça e a Saúde.

11 de outubro

- O primeiro-ministro desejou aos dois candidatos anunciados à liderança do PSD os maiores sucessos, frisando que conhece bem e já trabalhou politicamente quer com Rui Rio quer com Santana Lopes. No entanto, António Costa afasta qualquer cenário de “Bloco Central” entre socialistas e sociais-democratas.

- Rui Rio apresenta formalmente a sua candidatura ao final da tarde em Aveiro, que justifica com “a situação particularmente difícil” do partido e por não estar preso a qualquer compromisso.

Perante cerca de 200 apoiantes, onde se destacam alguns presidentes de distritais e figuras como o antigo ministro Arlindo Cunha ou os antigos dirigentes Montalvão Machado e Jorge Neto, o antigo presidente da Câmara do Porto defende que o PSD “não é nem nunca será” um partido de direita, mas de centro, nem “uma muleta de poder”.

“Para o PSD, este será o primeiro dia da sua caminhada para a reconciliação com os portugueses. Mas, para Portugal, este terá de ser, acima de tudo, o princípio do fim desta coligação parlamentar que hoje, periclitantemente, nos governa”, afirmou.

- O antigo deputado e ex-secretário de Estado José Eduardo Martins lança na rede social Facebook -- pouco antes da declaração de Rui Rio -- o ‘Manifesto PSD 2017 Nós, Sociais-Democratas’ com os princípios gerais do PSD, referindo que o partido deve ser “reformista e humanista, sem grilhetas comunistas ou socialistas.

- O ex-presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim declara, em entrevista à RTP, o seu apoio a Rui Rio por se rever “no perfil reformador” do antigo autarca. Aponta que Santana Lopes tem uma fragilidade que, ao mesmo tempo, lhe dá “vantagem” na corrida à liderança social-democrata: ter o “aparelho partidário ao seu lado”.

12 de outubro

- O ex-ministro e antigo dirigente do PSD Miguel Relvas assume que votará em Pedro Santana Lopes nas eleições diretas para escolher o futuro líder do partido.

“A minha intuição vai no sentido de que Pedro Santana Lopes terá um resultado ganhador e positivo nas próximas eleições”, afirmou, afastando-se de ideias que têm sido atribuídas a Rui Rio como o Bloco Central e a regionalização.

- A ex-presidente do PSD Manuela Ferreira Leite declara o seu apoio a Rui Rio por considerar que “tem uma credibilidade superior à de Pedro Santana Lopes” para liderar o partido e apresentar-se como candidato a primeiro-ministro nas próximas legislativas.

A ex-ministra de Estado e das Finanças do executivo de Durão Barroso salientou ainda, no seu espaço de comentário na TVI24, que Santana Lopes foi o candidato do PSD numas legislativas que deram ao PS de José Sócrates a maioria absoluta.

13 de outubro

O comissário europeu Carlos Moedas confirma que telefonou a Santana Lopes ainda antes do ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia avançar com a candidatura às diretas do PSD. Moedas diz que “foi um telefonema de admiração e de incentivo”, mas salienta que não pode dar apoio a qualquer um dos candidatos para “não descredibilizar” a sua posição institucional.