“Quando o pai veste a saia”

Na verdade “desenrascam-se” muito bem e quanto menos presente estiver a mulher mais competentes se apresentam

19 Mar 2017 / 02:00 H.

Longe vai o tempo em que se pensava que o recém nascido era menos competente do que na realidade é. Afinal verifica-se que, desde muito cedo o bebé é dotado de uma acuidade sensorial que lhe permite reconhecer tanto a mãe como o pai, mesmo antes do próprio nascimento, assim como manifesta uma capacidade muito precoce para identificar o estado emocional do seu cuidador (por meios fisiológicos) muito antes do domínio da palavra.

Por outro lado, ao longo de muitas décadas o papel materno foi sobrevalorizado e, ainda que o seu valor seja inegável, em pleno século XXI, tanto os estudos como a evidência social, corroboram hoje a importância da figura paterna no desenvolvimento psicológico dos filhos.

Hoje, sabe-se que o bebé nasce dotado para responder ao estimulo humano de uma maneira geral e não apenas ao seu cuidador mais direto, pelo que o pai, desde que recetivo e presente pode dar um contributo bastante importante para o seu desenvolvimento. A reforçar este dado cientifico, na atualidade, testemunhamos uma diferenciação mais ténue entre o papel da mãe e do pai, por imperativos e mudanças sociológicas que implicaram alterações na organização familiar e uma paternidade mais consciente e investida.

Atualmente, já são muitos os homens “que vestem a saia” e desempenham um papel muito semelhante daquele que durante séculos se identificou como estritamente maternal. Por mais que, muitas vezes descurem determinadas pormenores tipicamente femininos (na forma como vestem, adormecem, brincam e alimentam) na verdade “desenrascam-se” muito bem e quanto menos presente estiver a mulher mais competentes se apresentam.

Curiosamente acontece que alguns pais, depois do divórcio, revelam-se melhores pais. Obviamente que o divórcio não é propriamente um acontecimento desejável na vida de uma família/criança, mas na verdade muitas vezes implica o assumir de uma responsabilidade que, por mais que seja partilhada entre ambos, começa a suceder em separado e “à vez”. Esse compromisso torna-se individualizado, já não podendo haver a assunção de que o outro vai substituir-nos se estivermos cansados ou nos quisermos demitir...

Hoje dia dedicado ao pai gostaria de congratular todos aqueles que, aconteça o que acontecer nas suas vidas “vestem as saias” e continuam comprometidos no projeto de educar o seu filho e ajudá-lo a crescer acompanhado.

Eduarda Freitas
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