O Futuro nas Autárquicas

É no poder autárquico que muitos revelam aquilo de que são ou não são feitos

22 Jan 2017 / 02:00 H.

A Madeira vai novamente a votos este ano e da forma mais bonita de todas: vamos todos voltar a escolher o que queremos para a rua de cada um. Os autarcas são o poder político mais próximo do povo e quem melhor conhece as suas dificuldades: são os que conhecem directamente aqueles que os escolhem e não podem, por isso mesmo, demitir-se de participar na discussão sobre o futuro das populações das freguesias e dos concelhos que governam.

A Madeira insiste num Hospital Novo, mas até hoje continuamos sem resposta a coisas mais urgentes: de que serve termos novos blocos operatórios sem anestesistas para apoiarem cirurgiões? De que serve termos mais camas sem psiquiatras para tratarem da saúde mental? De que serve termos novas Urgências sem ortopedistas para acorrerem aos traumas? De que serve um edifício sem que tenhamos condições para fixar novos médicos na Região? De que serve um Hospital Novo sem medicamentos? De que serve um Hospital Novo se em metade da Região continuarem a não existir Urgências à noite? De que serve um Hospital Novo se a resposta da EMIR não chegar a tempo? De que serve um Hospital Novo se o primeiro nível de resposta, dada pelos Centros de Saúde, falhar?

O Governo Regional protesta com Lisboa sobre o modelo de subsídio às viagens aéreas de que é autor, sobre o avião cargueiro e sobre o ferry que nunca vieram, mas deixa o Porto Santo sem barco e sem solução, como consequência de contratos de concessão feitos à medida. De que serve protestar com os outros quando não se consegue governar em causa própria?

A Universidade da Madeira reelegeu o seu Reitor e excluindo as histórias que nos chegaram sobre a disputa eleitoral, que papel tem tido a sociedade civil na discussão de uma instituição fundamental para o futuro da Região? E o que dizer das dificuldades dos estudantes e das famílias madeirenses, tendo em conta que esta é a instituição com maior percentagem de bolseiros em todo o país?

As autárquicas de 2017 não são apenas sobre onde queremos estar em 2021, nem apenas sobre que condições políticas terão os que se perfilam para o combate eleitoral de 2019; são sobre uma ideia de futuro em que todos devemos trabalhar. Uma ideia de futuro nas áreas da Saúde, da Educação, dos Apoios Sociais, dos Transportes, da Economia, do Ambiente e da Energia, entre muitas outras; uma ideia de futuro que implica respostas locais a problemas regionais a que o Governo tem sido incapaz de responder. E esse futuro perspectiva-o melhor do que ninguém quem anda desde sempre no terreno, a servir a sua população.

É no poder autárquico que muitos revelam aquilo de que são ou não são feitos: os que tentaram e perderam por muitos, mas não aprenderam nenhuma lição; os que resistiram, venceram e hoje lideram pelo exemplo; os que inovaram e resolveram à primeira os problemas que outros deixaram; e os que governaram mal e continuam a fazê-lo no Governo Regional. As autárquicas são como o algodão, não enganam. Este pode ser um ano decisivo para o nosso futuro: porque não são só os autarcas que vão a votos, é o futuro de uma Região que precisa de mais acção no terreno dos que a conhecem e de menos aspiração e aparição dos que tentam à força mostrar trabalho.

Estamos todos convocados para Outubro e na hora da verdade vamos todos mostrar que sabemos escolher.

João Pedro Vieira
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