Elementar, meu caro Watson...

17 Fev 2017 / 02:00 H.

Desta vez não fui eu quem disse. A fonte é a insuspeita PWC, que afiança que “se descontarmos a inflação, o aumento do número de turistas não foi acompanhado por um aumento dos proveitos” por eles gerados.

O que é que isto significa? Significa que temos hotéis cheios ao preço da chuva com clientes que não têm dinheiro para gastar. E que nalguns casos, tendo em conta os preços praticados, estamos a pagar para que eles cá estejam.

E isto acontece porque, consequência das políticas seguidas há muitos anos, e continuadas pelo presente Governo Regional, temos estado a captar um mercado que não é o mercado que interessa à Região. Porque não gera as mais-valias de que a Madeira tem necessidade, e porque a necessidade de gerar receita aos preços que se vêm praticando leva a que se aceitem cada vez mais visitantes, aumentando a pressão turística e diminuindo quer a qualidade e, mais importante, a percepção de qualidade, do destino.

Nada de novo. Como não o é a história das taxinhas.

Em muita da Europa, e também em Portugal, o instrumento implementado para que as entidades oficiais pudessem recolher fundos de forma a compensar os custos acrescidos decorrentes do turismo, foi a taxa turística. O Governo Regional, cedendo mais uma vez aos lobbies instalados, optou por cobrar “taxinhas”. A CM Lisboa recebeu mais de 13 milhões de euros de taxas cobradas a turistas que visitam a capital, que servem para assegurar a manutenção das estruturas visitadas por estes turistas, bem como serviços (wc, etc, etc). Não sei quanto se gerou de receita para Santa Cruz, mas mesmo os hotéis que interpuseram providências cautelares têm cobrado esta taxa.

Os problemas das “taxinhas” são vários: custos de imagem, custos administrativos (já pensaram quanto custa ter alguém a cobrar 0,50 euro para ir à casa de banho, ou para ver um viveiro de trutas...), tempo, ...

A originalidade é boa, mas quando é para fazer melhor. Ser diferente só para ser diferente é estúpido. Neste caso, é melhor imitar – até porque já se demonstrou que o modelo funciona.

Roberto Loja

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