TANTO MAR e tanto para fazer

Temos que ter uma outra visão e estratégia para o Mar, a começar pelos cuidados ambientais a ter nos habitats costeiros, evitando os despejos de terras e de detritos nas ribeiras.

28 Out 2017 / 02:00 H.

Sempre que nos virámos para o mar, expandimos, crescemos, fomos maiores; sempre que nos fechámos na ilha, retrocedemos, empobrecemos e perdemos importância.

A história da Madeira está intrinsecamente ligada ao mar, pois sendo estas as primeiras ilhas das Descobertas, constituíram-se como plataforma para a Expansão portuguesa e para o achamento de novas terras. Aqui se formaram expedições para novas conquistas. Depois veio o comércio do açúcar e do vinho e foi de novo o mar que abriu os caminhos da prosperidade. E seguiu-se o turismo terapêutico e o abastecimento aos navios das rotas transatlânticas que aqui aportavam, e mais tarde a amarração de cabos submarinos que ligavam os quatro cantos do mundo. Aqui se cruzaram povos, culturas, civilizações. E seguiu-se a emigração, com milhares de ilhéus a procurarem o sustento noutros continentes. O madeirense perscrutou sempre para além do horizonte à procura de futuro. Viu sempre no Mar as oportunidades que a terra mãe não tinha. Hoje, de novo, o Mar volta a ser uma Causa regional, pois é uma fonte incomensurável de recursos e é com certeza a última fronteira do conhecimento, onde está a nossa maior riqueza.

O arquipélago da Madeira tem uma enorme Zona Económica Exclusiva (ZEE) com 446.108 Km2, maior que a do continente e que somada à dos Açores, possibilita que Portugal tenha a terceira maior ZEE da União Europeia e a décima primeira do mundo. A expansão deste espaço por via do alargamento da Plataforma continental, matéria que está em negociação no âmbito da ONU, vai permitir que o nosso país passe a ter uma ZEE de mais de 3,6 milhões de Km2. Um imenso Mar para novas Descobertas!

Os estudos e investigações efetuadas indiciam que as nossas águas são um santuário de biodiversidade marítima, concentrando um elevado número de espécies endémicas, com organismos dos fundos marinhos que representam novos recursos genéticos, para uso na medicina, na farmacologia e na cosmética. Aponta-se também para a possibilidade existência de minérios como ferro, cobre, zinco, prata e ouro e de energias fosseis como o petróleo e gás.

A verdade é que já hoje o mar representa muito para a Madeira e o Porto Santo, a vários níveis, apesar de nem sempre termo isso presente: no transporte de mercadorias e trocas comerciais com o exterior; na indústria de cruzeiros; na náutica de recreio; no turismo costeiro e nas reservas naturais; no mergulho e arqueologia subaquática; nos desportos náuticos; na observação de cetáceos; na pesca e na aquicultura; na reparação naval; na extração de inertes; na dessalinização da agua para consumo humano ou no Registo Internacional de Navios. Está por contabilizar o valor de todas estas atividades para a riqueza regional e para o emprego. Devo sublinhar a importância acrescida que a governação da Região veio dar aos assuntos do mar, mas, estamos longe, muito longe, de apostar e aproveitar as suas enormes potencialidades e de o explorar de forma ambientalmente sustentável. Por vezes, parecemos ilhéus de costas voltadas para o mar e tratamos muito mal a nossa orla costeira: o usufruto do mar pelos residentes é cada vez mais dificultado, pois ou se proíbe ou se taxa; a costa do Funchal entre o oriente e o ocidente está ocupada pelas unidades hoteleiras ou inacessível, como é o caso do Toco, e o acesso ao mar é pago; a única grande praia da Cidade ( Formosa), ainda gratuita, não tem as devidas estruturas e os acessos não são bons; as águas balneares apresentam, periodicamente, focos de poluição e não há maneira de os extinguir; continuamos sem tomar medidas para travar a erosão costeira na Madeira e no Porto Santo; algumas obras marítimas foram mal planeadas e executadas e desfiguraram a costa.

Temos que ter uma outra visão e estratégia para o Mar, a começar pelos cuidados ambientais a ter nos habitats costeiros, evitando os despejos de terras e de detritos nas ribeiras, estudando os efeitos da extração de areias no oeste da ilha, travando a sobrecarga de pesca em zonas com stocks em rutura e monitorizando os impactos das atividades humanas e económicas no meio marinho. Num âmbito mais vasto, precisamos conhecer e investigar muito melhor as águas da nossa Zona Económica Exclusiva, em conjunto com os Açores, Canárias e Cabo Verde, pois o espaço da Macaronésia é o maior da Europa e é a sua fronteira marítima ocidental.

O Atlântico é o habitat natural dos madeirenses e é nele que está o nosso futuro. Tanto Mar e tanto para fazer...

Escolhas

Quem?

O Padre Manuel Nóbrega. Deixou-nos esta semana depois de uma vida dedicada aos outros e à Natureza. Secou um poço de sabedoria, mas ficaram as nascentes que foi disseminando na comunidade.

O quê?

A nova campanha da APAV (Associação de Apoia à Vitima) que disponibiliza os seus serviços gratuitos e confidenciais via online. A linha tradicional de apoio continua com o numero 116 006.

Onde?

No Funchal de 10 a 13 de novembro, um grande evento de arte e design, com iniciativas em monumentos, hotéis, parques e jardins. Chama-se ARTOUR-O il MUST. Marque na agenda.

Quando?

Já esta quarta e até dia 5, o Peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro para ajudar uma instituição que dá assistência ao doente oncológico e promove a prevenção contra a doença. Obrigatório contribuir.

Porquê?

Porque é preciso mais apoio para os idosos com demência, a PSP apresenta hoje, entre as 9 e as 11h, no Madeira Shopping, o projeto “Estou aqui adultos”, em mais um Café Memória.

Como?

Não há dinheiro para tanta coisa, incluindo medicamentos hospitalares, e vai haver 3 milhões e meio de euros para uma pista de atletismo? Percebo quem a reivindica; mas quem decide, como explica a prioridade?

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM
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