Silly Season 4

No PSD é o desnorte. Renovou-se pouco e mal. E porque não sabia como fazê-lo, em pouco tempo tentou arrepiar caminho voltando ao mais do mesmo

31 Jul 2018 / 02:00 H.

1. Livro: “A Arte da Guerra” de Sun Tzu é um livro essencial para quem anda na política. Não que esta seja um conflito violento, ou pelo menos não deveria sê-lo, mas porque contém lições e estratégias essenciais para quem na política se queira envolver. Como no próximo ano se nos avizinham três momentos eleitorais, aqui fica a recomendação.

2. Incorreu Robles nalguma aldrabice? Não. Por ser quem é, mas acima de tudo por defender o que defende, estas coisas caem-lhe mal. A especulação que tanto crítica e que se define como uma operação de resultados incertos e arriscados mas de grande vantagem se for bem-sucedida, não tem nada de ilegal. Um negócio deste calibre, vindo de onde vem, demonstra que o dinheiro não tem ideologia.

O que está aqui em causa não é Ricardo Robles querer fazer negócio com aquilo que lhe pertence. Tem todo o direito de o fazer. O que se questiona é o facto de o maior arauto contra a especulação, a gentrificação, as rendas caras e a desertificação da capital do país ser, ele mesmo, um praticante daquilo que condena nos outros. O que se critica é esta falta de coerência, de ética, de moral, de sentido e de postura. É que “ali também podia morar gente”! Mais nada.

Os Robles deste mundo, venham lá de onde vierem, têm a garantia de que, da minha parte, podem contar com um firme defensor do mercado livre e do bom negócio, desde que tudo na legalidade como parece ter sido o caso. Repito: nunca por nunca foi isto que esteve em causa.

Mas Ricardo Robles não fica sozinho porque, muito para além da questão ética e moral, dos princípios, terá sempre a defesa da esquerda que procurará amenizar o sucedido passando-lhe a mão no pêlo e criticando quem o critica por ter procurado fazer negócio. A “esquerda clube de futebol” está sempre presente nestas coisas.

3. Aqui há uns meses, no Congresso do PS Madeira, assistimos ao nascimento da bicefalia regional, no que toca a lideranças partidárias. Ao mundo foi apresentada a solução Me e Mini-Me. Se pensavam que a coisa iria ficar por aqui desenganem-se. O CDS Madeira reuniu em Congresso e não quis deixar por menos. Assim, nasceram o Rómulo e Remo da política regional, dispostos a mamar na teta (salvo seja), não de uma loba, mas de quem ganhar as próximas eleições.

Se a moda pega, estou curioso para ver o que nos reserva o Congresso do PSD.

4. Muitas vezes, durante trocas de ideias com pessoas que considero cultas e inteligentes, consigo ler no que defendem uma espécie de ódio à Autonomia, resultado de uma tendência inexplicável de confundir o trigo com o joio, de acharem que Autonomia e PSD são uma e a mesma coisa.

Vejo-me, então, envolto num argumentário retorcido e absurdo que mais parece uma “pescadinha de rabo na boca” que leva sempre ao mesmo ponto de onde a conversa partiu.

O PSD não é a Autonomia. A Autonomia somos todos nós. É um espaço, uma intenção e um modo. Até aqueles que se lhe opõem, porque sob ela vivem, dela fazem parte.

Sendo assim, e num regime democrático, a Autonomia será sempre aquilo que quisermos. Uns acham que está bom assim, outros acham que ela até é muita e outros, nos quais me incluo, acham-na “cambada” e ainda com um enorme caminho a percorrer.

Já o disse aqui e volto ao mesmo: os limites da Autonomia devem ser unicamente os que decorrem da representação externa do país, da Defesa, da Justiça e da Segurança Interna. Tudo o resto são domínios sobre os quais a Autonomia pode e deve intervir. E essa intervenção deve ter como único limite a máxima: a Autonomia não questiona questões de soberania.

Há que deslocalizar ódios políticos, desavenças pessoais, destratos, e pensar a Autonomia como algo que aproximará sempre o cidadão das decisões. O caminho terá que ser este e não o de identificar este bem maior com a menoridade de um partido, pessoas ou pessoa.

5. Segundo os novos estatutos do CDS Madeira, compete ao Presidente do Partido “participar na elaboração das listas de candidatos às eleições legislativas nacionais, regionais e autárquicas, em conjunto com o Presidente da Comissão Política, a submeter à aprovação do Conselho Regional”. É impressão minha ou José Manuel Rodrigues e Rui Barreto tornaram-se órgãos partidários?

6. Voz amiga avisava-me, há tempos, que esta mania que tenho de dizer o que penso ainda me ia criar dissabores. Como se eu não soubesse disso...

Não tendo, mas tendo, directamente a ver com isto, na última semana cruzei-me com duas pessoas de que já falei, criticando coisas que disseram ou fizeram. São meus conhecidos e nunca passámos de conversa de circunstância.

A primeira, da situação, virou-me a cara ostensivamente. A segunda, oposicionista, fez-me olhar mortífero e virou-me as costas. Devo estar a fazer alguma coisa bem-feita...

7. As sondagens servem sempre para tudo justificar. Há-as, sempre, para todos os gostos e de todos os formatos. Uns que há uns meses as desvalorizavam embandeiram agora em arco com um sonoro “está quase”. Os que em sondagem passada a atiravam a torto e a direito dizendo que os madeirenses sabiam o que faziam acham agora que esta ferramenta é de pouco préstimo e que sondagens só nas urnas ou em ambientes comicieiros.

Eu, membro da Iniciativa Liberal, para fazer a minha leitura, “agarro-me” aos 17,5% que estão indecisos e ao universo de 203 em 1221 que não quiseram participar no estudo.

Também podia dizer que acho que o eleitorado da IL é tecnológico e só usa telemóvel e esta sondagem foi feita por telefone fixo... Ou que só reconheço sondagens feitas em sistema de urna com boletim de voto... Que ainda é cedo para se saber do valor da IL... blá, blá, blá...

Atenção que não pretendo com isto desvalorizar esta ferramenta que considero de grande importância. Estou a relevar o facto de que muitos só a consideram válida se o resultado lhes for favorável e minimizam-nas se desfavorável.

É isso que se vê sempre que sai uma...

8. O protagonista mudou, os protagonistas não são os mesmos, e ninguém lhes disse nada. O que resultava com AJJ não resulta com Albuquerques, Calados, Tranquadas e Cia. O que estava feito à medida de Alberto João Jardim não serve com esta gente. É o mesmo que querer enfiar um quadrado num círculo.

Não sendo eu fã de Jardim, reconheço-lhe a capacidade de sozinho encher o palco. O monte de gente que domingo estava em cima do palco não vale por ele.

No PSD é o desnorte. Renovou-se pouco e mal. E porque não sabia como fazê-lo, em pouco tempo tentou arrepiar caminho voltando ao mais do mesmo. Mas ao neo-jardinismo deste PSD falta-lhe o essencial: Jardim.

A Festa do Chão da Lagoa deixou de o ser... hoje está mais para Pagode da Achada Grande.

9. Tolentino Mendonça foi ordenado Bispo e será, a partir de Setembro, o responsável pela Biblioteca do Vaticano e seu Arquivo Secreto, um dos cargos de maior responsabilidade na cúria romana. Fantástica a entrevista que deu nestas páginas de onde destaco o seguinte: “A política não se pode esgotar na gestão da agenda partidária. Precisamos de pensamento a médio e a longo prazo, que sonde novos modelos e alternativas de sustentabilidade para o futuro. Aí acredito muito na alavanca que a educação, o conhecimento e a ciência constituem.”

Nuno Morna

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