Sempre foi assim e assim será...

As redes sociais e os comentários anónimos que pululam nos jornais e nos blogues dizem quase tudo sobre esta “estranha forma de vida” dos tugas que têm uma dificuldade enorme em darem a cara e em exporem o seu pensamento sem medos.

09 Set 2017 / 02:00 H.

Os portugueses são por natureza tristes, pessimistas e mesmo negativistas. São algumas das características do povo a que pertencemos, a par de outras bem melhores, e que estão espelhadas na nossa história, na cultura, na música (olha o fado do coitadinho), mas que, também, se expressam na forma como convivemos uns com os outros, na maneira como encaramos determinadas situações e na própria linguagem que usamos. Já repararam que estamos sempre com o NÃO na boca, mesmo quando queremos ser alegres e positivos? Ora vamos lá a saber: “não queres tomar nada?”, “não vens jantar logo à noite?”, “não queres ir ao cinema?”. E é assim no dia a dia, a carga negativa do advérbio NÃO está sempre presente, e em primeiro lugar, nas nossas conversas. Podia ser apenas uma curiosidade da nossa oralidade, mas é, afinal, toda uma forma de estar na vida que traduz a idiossincrasia lusa. E escrevo lusa de propósito porque em África ou no Brasil, povos que usam a língua portuguesa, esta predisposição para a lamúria, não existe, nem se reflete nas relações entre as pessoas e as comunidades. O brasileiro, aquele tuga com linguajar colorido, tem um papo mais otimista e alegre, mas infelizmente, a sua carrada de telenovelas, que invade os ecrãs lusos há 40 anos, não foi suficiente para influenciar a nossa conversação num sentido mais positivo. O mesmo acontece com os angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos e outros que falam a nossa língua e que a usam de forma menos triste e dramática. A este fadário, acrescentam os portugueses uma especial predileção pela coscuvilhice e pela maledicência, o que dá uma mistura explosiva, de escárnio e mal dizer que todos conhecem. Os madeirenses, não fossem “...dos portugueses os melhores” ainda lhe somam uma boa bilhardice e um basta que sim...

As redes sociais e os comentários anónimos que pululam nos jornais e nos blogues dizem quase tudo sobre esta “estranha forma de vida” dos tugas que têm uma dificuldade enorme em darem a cara e em exporem o seu pensamento sem medos. Temos, também, especiais embaraços em manifestar, publicamente, sentimentos, amores e fés. Apesar disso, somos muito pouco racionais e ostentamos bipolaridade quando, com grande facilidade, passamos de estados de euforia a profundas depressões. Um bom exemplo, é o da relação de amor-desilusão que mantemos com a seleção nacional de futebol, em que ora “somos os melhores do mundo” e ora “não temos equipa”. Outro exemplo, tem a ver com a forma como nos comparamos com outros Estados, em que numa hora somos pequenos e manifestamos complexo de inferioridade e na hora seguinte, olhamos o umbigo e já somos o centro do planeta. Estes estados de espírito são próprios de países e regiões com baixa autoestima e que precisam, constantemente, de estímulos para poderem viver e progredir. É certo que, nos últimos anos, temos levado pancada da grossa, seja com crises e austeridades, seja com acidentes e desastres naturais, e que temos algumas razões de queixa, mas a fatalidade é coisa genética que percorre as artérias do nosso corpo de nação com quase 9 séculos, e cujo inicio, como é sabido, começou com briga e divisão entre parentes muito próximos. Digamos que é a nossa sina, o nosso destino...

Não confundir “esta apagada e vil tristeza” com a Saudade, essa palavra maior da nossa língua, essa sim, merecedora de respeito e consideração. A Saudade é boa, expressa amor, revela proximidade, sublinha memória, e é o melhor do nosso ADN. Assim como, não podemos misturar o Fado de qualidade com o fado da faca na liga, do marialva e do desgraçadinho. Fado é do bom, é poesia, é sentimento, é património do nosso povo e da Humanidade.

Está na altura de termos mais Saudade e menos Tristeza. Está chegando o momento de valorizar o que é nosso em lugar de invejar o que é dos outros. Está na hora de nos orgulharmos dos feitos dos nossos melhores em vez de tentar deitá-los abaixo.

Aqui chegados, os leitores estão a questionar-se sobre o porquê de eu abordar esta temática. Explico: sou daqueles que acham graça a personalidades singulares, truculentas, e mesmo excêntricas, que marcam épocas e terras, numa exceção admissível; mas, por regra, sou daqueles que entendem que uma sociedade sem extremismos, moderada e equilibrada, é uma comunidade mais sensata e mais saudável.

Os suecos que dizem ser o povo mais feliz do mundo, têm um conceito, classificado de “lagom”, onde se revela o seu segredo: nada deve ser nem de mais, nem de menos, o importante é a medida certa.

Sem perder os nossos valores e as nossas capacidades de desenrascanço e de improviso, talvez pudéssemos aprender alguma coisa com o carácter e o planeamento dos suecos. É que já é tempo de vencer a fatalidade e derrotar a tese da inevitabilidade do “sempre foi assim e assim será” que nos conduziu a este estado de marasmo e de letargia. Precisamos de mudar para progredir!

Escolhas

Quem?

Os carreiros do Monte que, com o seu trabalho e esforço, projetam o nome da Madeira e são um dos grandes atrativos da ilha.

O quê?

Os horários dos museus da Região e dos Municípios precisam de ser revistos pois estão desajustados da vida dos residentes e do tempo dos turistas.

Onde?

Uma visita à Catedral para ver o Retábulo da Sé, recentemente restaurado, porque é uma jóia extraordinária da pintura e escultura de há 500 anos.

Quando?

O subsídio de mobilidade para o transporte aéreo, extensível às ligações marítimas, está para ser revisto há 2 anos. Quando cumprem a lei?

Porquê?

A simplificação do licenciamento do Alojamento Local é um caso de sucesso e muito tem contribuído para o crescimento turístico. Porquê querer mexer no que funciona bem?

Como?

Quando no ano 2000 defendi o uso de meios aéreos no combate aos fogos florestais, sustentado em opiniões de pilotos, fui apelidado de lunático. Afinal, é possível...

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM
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