Pelas “terras do Avô”

Além de ser um dos meus vinhos preferidos e de ser um dos bons produtos que dignificam a marca Madeira há uma coisa que me entusiasma particularmente. É a forma como o Pai Duarte, a Mãe Júlia a filha Sofia e irmãos fazem tudo acontecer

11 Jan 2018 / 02:00 H.

O conhecido cantor jamaicano Bob Marley acreditava que o racismo e o ódio podiam curar-se com injecções de música e amor na vida das pessoas. Há sítios, momentos e personagens, que me fazem recordar estas ideias mágicas de quem não se coíbe de fazer “o seu bocadinho” para todos os dias, à sua maneira, de uma forma tão simples quanto genuína, tão pura como especial tornar o dia de alguém melhor. Costuma-se dizer que “não podes amar alguém sem teres amor por ti próprio em primeiro lugar”. Eu gosto sempre de lhe acrescentar que quando não te esqueceres dos outros estarás sempre mais perto de não te esqueceres de ti próprio

O vinho madeirense “Terras do Avô “ foi considerado há pouco tempo, por uma publicação de referência, um dos melhores 10 vinhos brancos portugueses. Feito de uvas de produção própria e de outros pequenos produtores da ilha da Madeira é dos bons segredos que faço sempre questão de apresentar aos amigos que recebo por cá (isso e uma boa poncha claro...). Mas para além de ser um dos meus vinhos preferidos e de ser um dos bons produtos que dignificam a marca Madeira há uma coisa que me entusiasma particularmente. É a forma como o Pai Duarte, a Mãe Júlia a filha Sofia e irmãos fazem tudo acontecer.

As pessoas que têm sucesso e não se esquecem dos seus princípios , das suas convicções e que fazem do trabalho o seu valor merecem ser valorizadas. É pela qualidade do vinho mas sobretudo por tudo isso que este reconhecimento me deixa extremamente contente. Aqueles que apostam na qualidade e na originalidade (basta olhar para os rótulos) têm que ver o seu arrojo recompensado. Existem outros exemplos assim por cá, felizmente. Este é o que conheço em maior profundidade.

Quando fui convidado para ir visitar a sua Casa no Seixal onde reside o seu projecto de Enoturismo com base na prova dos seus vinhos mas também nos inúmeros petiscos da terra, iguarias e receitas de família fiquei especialmente sensibilizado pelo empenho e a dedicação que mostram em cada detalhe. O cuidado na apresentação e acima de tudo na arte de bem receber. Do carinho que passam para quem chega mas também o respeito para com os que com eles trabalham seja a empregada de casa aos trabalhadores nas vindimas. Está sempre tudo bem.

Nunca da parte da Sofia ouvi um não, mesmo quando depois de uma noite de copos e privando-se de inúmeras horas de sono acede em abrir o seu jardim maravilhoso para receber os amigos e os amigos dos amigos com o maior sorriso do Mundo, pronta a cozinhar e com a felicidade sincera de quem esconde o cansaço pelo prazer de dar prazer aos outros. Todos por igual. Ali sinto-me como se voltasse a ter 15 anos na “marquise” da minha avó, onde o tempo não passava e o Sol me transportava para o lado bom da vida. Talvez também por isso estas “Terras do Avô” me digam tanto. Devemos sempre fazer um esforço para estar mais perto dos bons exemplos , dos que nos fazem sentir bem, dos que nos “obrigam” a sermos melhores.

Daí o paralelismo com o famoso cantor, porque eu acredito nos momentos perfeitos, nos gestos altruístas e na capacidade que podemos ter com simples e inocentes gestos mudar o rumo de alguém, o dia de uma pessoa, e até de através disso contribuirmos para um Mundo mais humano. Como diz um amigo meu “nunca mudem”. Está bom assim.

“Love the life you live and live the life you love”

(Ama a vida que vives e vive a vida que amas)

Bob Marley

José Paulo do Carmo