“PÁTRIA, SOCIALISMO
OU MORTE, Venceremos”

A Venezuela atravessa um dos piores períodos da sua História e passou de Eldorado a Inferno. A revolução com o lema “Pátria, socialismo ou morte, venceremos” conduziu o país ao caos e a uma crise humanitária

01 Set 2018 / 02:00 H.

A esquerda radical em Portugal protagonizada pelo Bloco e pelo PCP e por alguns setores minoritários do PS, continua a iludir as populações e a prometer o Céu na Terra. Mas nós conhecemos os seus “paraísos”: a Albânia, a Coreia do Norte, Cuba, a Nicarágua e a Venezuela são alguns dos exemplos. Hugo Chavez apoiou financeiramente a criação do partido “Podemos” na Espanha e todos sabemos a predileção que o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e o JPP tinham pela revolução bolivariana. E agora o que pensam do êxodo que se regista no país com milhares de cidadãos a abandonarem a Pátria? O que dizem estes partidos aos emigrantes ali radicados? O que garantem aos madeirenses obrigados a regressarem à terra? Como justificam o fracasso daquele modelo político e económico que ia ser importado para a Europa, inclusive para a Península Ibérica?

A senhora Thatcher dizia que os socialistas eram muito bons a distribuir o dinheiro...dos outros e que o problema era quando acabava o vil metal, e é verdade.

Todos sabemos que a Venezuela, é um país com enormes desigualdades sociais, a par de outros como Portugal, e que o bipartidarismo ADECO e COPEI do passado, perpetuou no poder duas oligarquias que alternavam na gestão e usufruto da riqueza nacional. Todos adivinhavam que alguma coisa teria que acontecer para mudar esta alternância de políticos e não de políticas que alimentava um Estado clientelar e corrupto. Em certa medida, Hugo Chavez representou uma esperança de mudança, mas desde logo se viu que a revolução bolivariana, como a maioria das revoluções, não passava de um logro e que os “revolucionários” eram candidatos ao enriquecimento fácil à custa dos bens públicos e, em muitos casos, de negócios ilícitos. A subida do preço do petróleo ajudou à euforia chavista e em vez de se aproveitar para equilibrar as contas do Estado, apoiar a economia produtiva e fazer justiça social, desatou-se a subsidiar e a fixar preços, a derramar dinheiro sobre a pobreza a criar uma classe de improdutivos. O Estado dá, o Estado controla, o Estado vela por todos. Obviamente que o modelo tinha tudo para dar errado, como aconteceu, com efeitos altamente nefastos para um país que, face às suas riquezas, tem tudo para dar certo.

Conheci Hugo Chavez, aquando a sua visita à Madeira em 2001, e os deputados do CDS, onde me incluía, foram os únicos que não aplaudiram o seu discurso no Parlamento regional que foi recebido entusiasticamente pelas esquerdas e pelo PSD. Fomos criticados por isso, mas como noutras circunstâncias, tivemos razão antes do tempo. Devo reconhecer que a intervenção, que ultrapassou largamente o tempo determinado pelo protocolo, foi empolgante, num misto de catecismo marxista com citações bíblicas, de emoção com demagogia, de socialismo com populismo.

Permitam-me o testemunho: minutos antes desse interminável discurso, os líderes parlamentares, onde me encontrava em nome do CDS, estavam alinhados à porta da Assembleia para receber o Chefe de Estado da Venezuela. O Presidente de Parlamento apresentou-nos um a um, referindo o partido a que pertencíamos e recordo-me que, apesar de cordato com todos, a sua efusiva simpatia e largo sorriso foi apenas para quando se anunciou o representante do Partido Comunista. A partir daí percebi tudo...e tudo o que depois se passou com ele e com o seu sucessor Nicolas Maduro. Há imagens que não enganam e nunca se esquecem.

A Venezuela atravessa um dos piores períodos da sua História e passou de Eldorado a Inferno. A revolução com o lema “Pátria, socialismo ou morte, venceremos” conduziu o país ao caos e a uma crise humanitária. A Democracia cedeu lugar à ditadura com sucessivos golpes constitucionais; o Estado de Direito foi substituído pela violação dos Direitos Humanos com prisões arbitrárias dos opositores; a Economia de mercado foi anulada pelas nacionalizações e pela fixação de preços; em vez de erigir um Estado Social apostou-se no assistencialismo e na subsidiodependência. Os resultados estão à vista: regressão para metade do Produto Interno Bruto, aumento da corrupção, degradação total dos serviços públicos em particular da Saúde, mortes por falta de medicamentos, saída de quadros qualificados, fome, crescimento da miséria, aumento da violência e fuga das populações para países vizinhos. Depois de uma desvalorização de 96 por cento da moeda, eis que o Presidente Maduro anuncia que a solução milagrosa é agora a criptomoeda e a venda de barrinhas de ouros aos cidadãos!

Será que no fim disto tudo, as esquerdas radicais, ainda, culparão o imperialismo americano pelo estado a que chegou a Venezuela? Ainda, não perceberam que o socialismo populista falhou em todo o lado?

Escolhas

Quem?

Os Vigilantes da Natureza que fazem um trabalho notável na preservação das Reservas Naturais de que o melhor exemplo é a proteção do lobo marinho nas Desertas, iniciada há 30 anos. Parabéns.

O quê?

A tradição dos tabuleiros na Festa de S. António na Ponta do Pargo, este fim de semana, organizada pelos regentes, jovens de diversos sítios que trazem para leilão o melhor que a terra dá. Vale a visita.

Onde?

No Colégio dos Jesuítas, hoje, volta o Fado de Coimbra, mas também temas de Max, Amália e Carlos do Carmo pelo grupo de Fados da Académica da Madeira. Uma noite especial e de entrada gratuita.

Quando?

Esta tarde, pelas 17h, na FNAC, a estreia do projeto “Lovefool” do madeirense Luís Fernandes. Um showcase ao som da voz, da guitarra e do piano. Temos que apoiar os nossos jovens talentos.

Porquê?

Danças com História do século XVII no Funchal, no âmbito da Festa do Vinho. Hoje, temos apresentação na Fortaleza do Pico e amanhã na Fortaleza de São Tiago, ambos às 18h. Porque vale a pena.

Como?

Temos que valorizar aquilo que é nosso, daí a importância do Estatuto da Agricultura Familiar proposto pelo CDS e que obriga as entidades públicas a privilegiarem o que é madeirense nas suas aquisições.

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM
Outras Notícias