Os 130 do Baltazar Dias

O gosto por ir ao Teatro em família ou com amigos, é um momento de aprendizagem em que a sociedade se inspira para a evolução assente em bases sólidas

22 Fev 2018 / 02:00 H.

Se o Teatro fosse uma pessoa o nosso Baltazar Dias seria a mais gira e interessante de todas. Daquelas que deixam os outros a olhar quando passa. Das que parecem que o tempo não passou por elas. Porque para além de ser lindíssima, elegante, nobre e sumptuosa soube adaptar-se aos nossos dias tornando-se sofisticada e transversal, popular e objectiva, simples e no entanto tão culta e diversificada. Fácil no trato. É por isso uma sorte termos tão magnífico espaço aqui mesmo à nossa disposição. Celebra este ano o seu 130 aniversário e está como a queremos, com vida, renovada, cheia de planos e com tanto por concretizar.

Não me admira. Conheci há uns meses a sua diretora Sandra Assunção com quem troquei umas palavras. Não muitas, mas as suficientes para perceber que tinha chegado alguém com espirito aberto, energia positiva e vontade de fazer. Era disso que precisávamos. E confirmou-se. Está por isso de parabéns ela e claro está toda a equipa que trabalha para os objectivos a que se propuseram e os primeiros resultados estão aí porque ninguém consegue nada sozinho. Segundo ouvi dizer existem várias pessoas de grande qualidade nessa equipa.

Começo por me regozijar pelo facto do Teatro voltar a ser de todos e para todos. A origem da palavra remete-nos para “olhar com atenção, perceber, contemplar e não significa ver no sentido comum, mas sim ter uma experiência intensa, envolvente, meditativa, inquiridora, a fim de descobrir o significado mais profundo; uma cuidadosa e deliberada visão. O teatro, mais do que ser um local público onde se vê, é o lugar condensado da vivência das ambiguidades e paradoxos onde as coisas são tomadas em mais de uma forma ou sentido.” É por isso bom ver o mesmo a voltar às suas origens homenageando por exemplo um dos melhores poetas portugueses que lhe deu o nome cedendo lugares para que invisuais como Baltazar Dias era o possam sentir da mesma forma, com a mesma paixão e intensidade. É a sua nobreza de alma a vir ao de cima.

De salutar também a aproximação aos mais novos com o Baltazar Junior. É no instigar do gosto pelas artes e pela cultura que as nossas gerações poderão ser asseguradas tanto pelo seu crescimento como no afastamento de outro tipo de perigos ocupando-os com atividades de interesse que lhes possam permitir uma carreira ou tão só um passatempo. Mas o reposicionamento da programação é o que de melhor há a extrair , por ser estratégico e revelar que não se trata de um ato isolado mas sim de um caminho definido, com objetivos concretos. Sabemos para onde vamos. O reaproveitamento do património e de áreas outrora desaproveitadas, uma programação consistente e diversificada assim como uma comunicação estruturada e atempada conjugando a nova imagem mais fresca com as novas tecnologias como o site, o desenvolvimento de conteúdos constantes e inovadores ou a cooperação com outros teatros nacionais e internacionais.

Não nos podemos esquecer nunca que são estes símbolos da nossa história que perduram no tempo e se tornam activos culturais inestimáveis. É desta forma que posicionamos o destino Madeira assente na qualidade e na oferta cultural, criativa e artística, ajudando a promover a vinda de novos públicos e o interesse das novas gerações pela nossa Terra. O gosto por ir ao Teatro em família ou com amigos, é um momento de aprendizagem em que a sociedade se inspira para a evolução assente em bases sólidas. Não há por isso como não reconhecer o sacrifício , o espírito de missão, o empenho e a dedicação aliados à competência, da Sandra e sua equipa. Vêm aí 11 dias de festa. De 1 a 11 de Março. A qualidade e o bom gosto vieram para ficar. Parabéns Teatro Baltazar Dias!

José Paulo do Carmo
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