O problema da solução ou a solução do problema

O processo eleitoral foi uma verdadeira palhaçada: chapeladas, processo organizativo todo inquinado, discussão de pintelhésimos, insultos, ameaças, desconsiderações. Mas há ainda por aí alguém que no seu perfeito juízo possa levar o PS Madeira a sério?

23 Jan 2018 / 02:00 H.

1. Livros: leiam todos os infantis que consigam de Luís Sepúlveda. São leituras de um fôlego. Livrinhos prenhes de realismo fantástico maravilhoso.

2. Disco: Neil Young + Promise of The Real. O álbum chama-se “The Visitor” e é para ser “chupadinho” até ao tutano.

3. Filme: Dunkirk de Christopher Nolan. Francamente não sei. Ainda não sei bem se gostei ou se gostei muito. A história é bem contada e está filmado como só Nolan o sabe fazer. É quase um filme mudo, tão poucas são as falas. Tem uma coisa que, lá pelo meio do filme, se me tornou extremamente irritante: a banda sonora. “over and over and over again” é sempre a mesma e a partir de certa altura mexe com os nervos. É propositado? Claro que sim, mas um pouco menos seria muito mais.

4. Na passada semana voltou à baila a “coisa” da Ponte Nova. Já não há pachorra. Esta gente da Câmara e do Governo não se conseguem sentar a uma mesa como se fossem adultos e conversar? A bem da cidade? A bem da Madeira?

5. Ultimamente tenho-me lembrado muito desta passagem de “100 Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marquez: “o Padre Nicanor levou ao castanheiro um tabuleiro e uma caixa de pedras para convidá-lo a jogar damas, Arcadio Buendía não aceitou, segundo disse, porque nunca pôde entender o sentido de uma contenda entre dois adversários que estavam de acordo nos princípios.”

6. Nas eleições no PS Madeira não se pediam “beijos e abraços” entre quem via as coisas de modo diferenciado, pedia-se elevação. Uma democracia adulta só se concebe assim. E estamos a falar de eleições internas de um partido onde as pessoas estão porque querem estar e onde terão que ser mais as coisas que unem os seus militantes do que as coisas que os separam.

O processo eleitoral foi uma verdadeira palhaçada: chapeladas, processo organizativo todo inquinado, discussão de pintelhésimos, insultos, ameaças, desconsiderações. Mas há ainda por aí alguém que no seu perfeito juízo possa levar o PS Madeira a sério?

Como é possível que algumas pessoas que conheço e pelas quais nutro simpatia, amizade e admiração e que são militantes do PS, ainda lá conseguirem andar? O que se passou nas últimas semanas é uma vergonha para a democracia. São porcarias assim que descredibilizam os partidos. São estes enxovalhos que provocam as enormes taxas de abstenção nas eleições.

E os culpados são todos os que lá andam e até alguns que não. Todos, todos, todos. Uns por empenho e participação nesta obscenidade outros por omissão.

Como democrata que sou, tudo isto revolve-me as entranhas, enoja-me, desgosta-me profundamente.

E tudo isto para quê? Para no final concluirmos que Carlos Pereira é um presunçoso, Emanuel Câmara um presumido e Paulo Cafôfo é o dono daquilo tudo... e nem é militante.

Não é mas vai ser. Ou seja, de independente em independente até à filiação final!

7. Muitos amigos do PSD andaram a semana aos saltos com a possibilidade de Cafôfo, o mudo, vir a ser candidato do PS sozinho ou em modo geringonça. E têm todas as razões para isso. Será sempre um candidato muito mais difícil de bater nas urnas do que um Carlos Pereira com alguns rabos-de-palha e com um feitio pouco dado a simpatias. Sobre a preparação dos dois, não tenho qualquer dúvida. Como também não tenho dúvidas sobre qual deles é o mais empático. Mas não se preocupem pois junto-me a vocês mas sem andar aos saltos: também eu, hoje em dia novamente militante partidário, preferiria muito mais encontrar do outro lado a irascibilidade de Carlos Pereira do que a doçura Kinder de Paulo Cafôfo.

8. No JM, Américo Silva Dias fez acusações graves à gestão camarária e a propósito do sucedido no Monte, em Agosto. Que ninguém fique acordado à espera de resposta que quase aposto que não vem. “São tácticas senhor, são tácticas...”

9. Pedro Calado considera o Sistema Regional de Saúde um sucesso. Certamente que o não usa. Ou, se o usa, tem a possibilidade de o fazer como VIP que é. Falta de medicamentos, pessoas largadas nos corredores por não haver espaço disponível, meses de espera por uma consulta, intermináveis listas de espera para cirurgias, altas problemáticas, falta de vacinas, fumos negros a sair das chaminés do Hospital, incapacidade de tratar convenientemente lixos tóxicos, etc., etc., etc.

Não fossem os médicos, os enfermeiros e o pessoal auxiliar, esses sim merecedores de todo o nosso reconhecimento, e a situação seria a todos os níveis desesperante.

É que andar por lá pela mão de conhecidos que nos levam de serviço em serviço é uma coisa, não conhecer lá ninguém é outra.

10. No CDS, Lopes da Fonseca retira legitimidade à concelhia do Funchal. Além de ser um verdadeiro inábil político este estarola é um invejoso. Não pode ver uma confusãozinha noutro partido que trata logo de arranjar uma para o seu.

11. E como a liderança do CDS não são um mas dois, faltava cá vir o outro fazer a sua porcaria. Em declarações ao JM, Rui Barreto ameaça bater com a porta se achar que o partido não tem solução. Ou seja, o problema da solução quer ser a solução do problema. Ao criar, no último congresso, a estapafúrdia solução bicéfala para a “governança” do “centristas” madeirenses, não querendo na altura ser líder, ficará para a história como o grande responsável por tudo o que tem acontecido até agora. Sendo excelente pessoa, politicamente Rui Barreto é um imberbe que alinha em estratégias indizíveis.

12. Tenho a certeza que muita gente por aí me considera estúpido, parvo, idiota. Eu mesmo, por vezes, me considero assim. Evito rotular os outros “disto e daquilo” embora a mim me rotulem de tanta coisa que já nem ligo. Mas uma coisa é certa, da mesma maneira que procuro que as minhas “estupidezes”, parvoíces e idiotices se sustentem em coisas concretas, exijo aos outros que nas suas viagens na maionese façam o mesmo. E que, quando perguntados, respondam com propriedade, concorde eu ou não com o dito.

Nuno Morna

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