O “Me” e o “Mini-Me”

Se somos todos “accionistas” dos partidos, pois é do dinheiro dos nossos impostos que saem as subvenções que tão mal desbaratam, temos todos o direito de saber o que lá se passa

16 Jan 2018 / 02:00 H.

1. Livro: ando sempre com leituras atrasadas. Há tanto o que ler que se torna impossível fazê-lo a seu tempo. Nestes dias ando a deliciar-me com “Zorro” de Isabel Allende... e pareço um puto. Foram livros assim que fizeram de mim um leitor compulsivo. E é tão bom recordá-lo.

2. Disco: não é o melhor dos Black Rebel Motorcycle Club, mas “Wrong Creatures” é o que anda a passar por mim nestes dias. Gosto-lhes do swag, daquela atitude de quem se está a marimbar se deles gostam ou não.

3. CORRECÇÃO. Na semana passada, no ponto 1, cometi uma incorrecção: a Igreja portuguesa já pediu desculpas públicas pelos trágicos acontecimentos de 1506, tendo, inclusivamente, construído um monumento em memória das vítimas no palco do sucedido, no Largo de São Domingos em Lisboa.

4. Sou acérrimo defensor do debate, da clareza política, da elevação. Para mim qualquer coisa que fique para lá do que acabei de escrever menoriza os seus intervenientes. No outro dia, alguém escreveu que não entendia porque é que as pessoas se “metiam” comentando o que se passava nas eleições internas das instituições partidárias. Eu explico: se somos todos “accionistas” dos partidos, pois é do dinheiro dos nossos impostos que saem as subvenções que tão mal desbaratam, temos todos o direito de saber o que lá se passa. Mais: é um requisito da democracia que os seus cidadãos sejam pessoas interessadas em tudo o que diga respeito à vida política do país. Somos nós os maiores garantes da democracia. As eleições no PS/Madeira e no PSD são o lado para onde durmo melhor. Mas como pessoa atenta que acho que sou fico preocupado com a falta de nível que foi e tem sido demonstrada pelos contentores, em ambos os processos.

5. Porque para bom entendedor meia palavra basta, tenho para mim que uma das candidaturas à liderança do PS/Madeira tem um Me e um Mini-Me...

6. Na Assembleia da República discutiu-se, ou tentou-se, a aplicação da cannabis como meio terapêutico. É um debate que urge ser feito e deve envolver o país. De um lado conservadores e, do outro, liberais. Sei onde me posiciono e não alinho em hipocrisias. São muitos os estudos a comprovar as propriedades terapêuticas da cannabis.

E o álcool? Há sequer comparação em termos da saúde mental? Urge o debate sério e apoiado na ciência. Em jeito de avanço deixo aqui só isto: prefiro muito mais uma coisa legalizada com locais específicos onde se a possa adquirir, acabando com a figura sinistra do traficante, que lhe garanta a “qualidade” e que pague impostos que, eventualmente, possam ser aplicados na saúde, do que continuar com a cabeça enterrada na areia a fingir que nada disto existe. O consumo é indiscriminado... só não a fuma quem não quer.

A prevenção faz-se pela educação, não pela proibição. Seja em relação ao álcool, à droga ou até ao tabaco, todos eles problemas de saúde pública. E aproveito para aqui relevar o trabalho que tem sido feito no sentido da prevenção pela educação, principalmente junto aos mais jovens, pelas entidades regionais envolvidas.

7. E eu todo contente com o cupão de oferta de 250€ do Continente que ia guardar para comprar cannabis na Wells e vêm dizer que é falso. Gaita que ando cá com uma sorte...

8. “Queremos para o partido aquilo mesmo que defendemos para o país: uma ampla descentralização regional, assente em poderes eficazes dos órgãos locais, eleitos e fiscalizados pelos cidadãos.” Francisco Sá Carneiro num comício em 1974. Urge que o debate se volte a fazer. Um debate nacional. As autonomias da Madeira e dos Açores só crescerão quando a descentralização do país for efectivada, seja por via da regionalização seja pela municipalização. Ou ambas.

9. José Manuel Rodrigues aproveitou a sua crónica neste espaço, no sábado passado, para publicar a sua moção de estratégia global. Mas está marcado algum congresso do CDS Madeira? Não mas, depois disto, tem que ser marcado. O escrito denuncia claramente a sua disponibilidade de voltar a dirigir os destinos dos “centristas”. Sempre tive a sensação de que este seria o desfecho do seu relativo silêncio. JMR emulou em quase tudo a carreira do seu ídolo, Paulo Portas. Não podia ser de outra maneira e este é só mais um episódio. Tenho-o dito, desde que a titubeante liderança bicéfala do CDS ganhou o último Congresso. Era por demais evidente.

10. O Presidente dos Estados Unidos qualificou El Salvador, Haiti e várias nações africanas que não identificou, de “países de merda”. Nada que me espante. Eu também faço parte daquele rol de pessoas que acham que Donald Trump é um presidente de “merda”. O dirigente americano não tem cérebro. É um mentecapto apaixonado por si próprio. Tão apaixonado que calculo que o exercício da sua sexualidade se manifeste por intermédio da asfixia-erótica praticada em frente a um espelho com o inevitável saco de plástico da Hooters enfiado na cabeça. O meu amigo José Júlio dizia-me há dias que estava a ler o livro do momento sobre Trump. Á pergunta: “para quê”, respondeu-me que o fazia para confirmar as suas piores expectativas. Tenho uma teoria sobre o “pior”. Acho que o “pior” é como o frio... a partir de certa altura já não se nota a diferença.

11. O xóxinhas. O xóxinhas é mole. Pica aqui, pica ali. Insulta onde sabe que não vai ter resposta, deturpa porque sabe que fica impune. E até eu, que fervo em pouca água, deixo que as coisas sejam assim. Houve tempos em que uma luva no focinho levava estas amebas para um terreiro onde se terçavam armas. Mais tarde era um bom dum par de chapadas. E hoje é o desprezo de quem é superior a quem mente e inventa. São seres moles e que se babam pelo canto da boca. Têm a inveja como principal característica. Não apanham sol e, por isso, de iluminados não têm nada. Senhores de uma leve tonalidade verde-ranço e mãos papudas que nunca sabem onde enfiar, deslocam-se devagar de modo a que não se dê por eles para poderem morder cobardemente. Depois, ou apontam para outra pessoa, ou provam que afinal até são rápidos na fuga. Os xóxinhas nem medíocres conseguem ser. Um medíocre ao pé deles tem brilho porque pelo menos sabe copiar. O xóxinhas, do fundo dos seus olhos vermelhos de sapo, vê tudo a preto e branco. Não percebe a cor. Tem uma papada grande onde armazena a maledicência que usa a torto e a direito. Dorme de barriga para o ar e, se sonha com coisas boas, tem pesadelos. O xóxinhas é o dejecto da porcaria!

12. No dia 28 vou fazer a Mini Maratona do Funchal. A passo, claro. Tenho a certeza que se a fizer a correr começo a perder peças pelo caminho.

Nuno Morna

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