O crescimento improvável

Se o que faltava era o crescimento ora aí esta ele. Afinal as vacas sempre voam. Voam baixinho mas voam.

02 Dez 2016 / 02:00 H.

Contrariando o colectivo de vozes mais fatalista, quase unanimista e monocórdico, e as palavras mais extemporâneas e precipitadas, o ministro das finanças anunciou os números do nosso contentamento. Afinal Portugal vai crescer e vai crescer mais do que a média europeia. Não é um grande crescimento mas é indubitavelmente um bom sinal. De per si e tendo em conta a conjuntura. Se o que faltava era o crescimento ora aí esta ele. Afinal as vacas sempre voam. Voam baixinho mas voam.

Resumindo, quem achou (mal) que o único caminho para salvar Portugal era sacrificando de forma dolorosa e persistente os portugueses “trompicou-se”, como diz o povo. Afinal havia outro. Outro caminho. Mais temperado, menos radical, menos austero, mais sereno, mais sensato. Disse-o várias vezes na pacatez do meu canto. Eu e muitos portugueses. Mas a teimosia persistente foi conduzindo o país sem cedências. No transe hipnótico da missão que o divino incumbira para os governantes de então, a salvação da pátria. A todo o custo. Doesse a quem doesse.

Ninguém lhes tira o mérito de grande parte dessa recuperação. Mas a tempo tinham que ter levantado o pé do acelerador e amenizado ou moderado cautelosamente a austeridade. Obstinadamente não o fizeram. Deixaram para outros essa possibilidade. Foram esses que, agarrando a oportunidade, os apearam do poder. E, pior do que isso, os que fizeram agora exactamente o que deveria ter sido feito antes garantiram, para já, fundadas perspectivas para a renovação da imprescindível confiança popular.

Mas atenção, é preciso ter prudência. Há a famigerada dívida para tratar ou para ir tratando. Há o investimento para incentivar que estes sinais poderão sugerir e impulsionar. E termos noção de que este crescimento baseado no consumo interno e externo, particularmente nas exportações incluindo o turismo, pode ainda não ser sustentado e estruturante. Mas que é melhor crescer do que não crescer lá isso não há qualquer dúvida.

João Cunha e Silva
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