O Carnaval da Madeira

A quantidade de trapalhadas políticas, judiciais

08 Fev 2018 / 02:00 H.

A época carnavalesca que acaba de se iniciar encerra em si diversas idiossincrasias deveras interessantes de analisar e aprofundar. É por variadíssimas razões que embora seja uma festa e uma demonstração de alegria deva ser levada muito a sério. Pese embora seja um evento de diversão a importância desta época deve ser tida em linha de conta. A começar pelo facto de ser um dos principais focos de combate à sazonalidade numa ilha que já lá vai o tempo era quase só conhecida pela magia do seu mar, do sol e temperaturas tropicais. E não é questão de somenos já que é na amplitude de oferta de qualidade esplanada pelas diferentes estações do ano que reside também o crescimento económico sustentado e por aí a subida de qualidade de vida das populações.

O famoso conto da cigarra de da formiga e com ele de amealhar no Verão para sobreviver no Inverno é história que queremos afastar por cá para assim podermos durante todo o ano dar vida às nossas ruas e ao nosso comércio tradicional seja na restauração ou nas diferentes ofertas de produtos típicos e programas interessantes. Se é ponto assente que vivemos dependentes do Turismo e do que os outros possam por cá “deixar”, é essencial criamos (já o referi em crónicas anteriores mas nunca é demais salientar) condições para que produtos de valor acrescentado como é o caso se instalem e criem nome por forma a motivar os turistas e a fazê-los procurar cada vez mais a magia que temos para lhes oferecer.

É por isso uma época de alegria e de construção. Eu gosto especialmente de ver as pessoas alegres e bem dispostas e normalmente o frio afasta-nos disso. Fico por isso especialmente satisfeito em ver a azáfama das trupes e a sua capacidade de resiliência bem como a sua criatividade para produzir um espetáculo de excelência. Milhares de pessoas envoltas num ambiente de festa, alegria , brincadeiras e boa disposição. Precisamos deste contágio permanente que nos faça por vezes esquecer as agruras da vida e nos transporte para bons sentimentos. Aplaudo o número recorde de trupes inscritas para o cortejo deste ano, destacando os meus amigos da “Sorrisos de Fantasia” que à custa de um enorme esforço pessoal regressam após um período de pausa. O Carnaval tem que ser isto mesmo, vontade de espalhar sorrisos.

A quantidade de trapalhadas políticas, judiciais e sociais a que os diversos agentes de proa da nossa sociedade nos têm brindado deixam-me também uma curiosidade acrescida para o Cortejo Trapalhão. De facto poderíamos até achar que fazem de propósito para nos dar temas tal não fosse a seriedade da situação. Mas já dizia o Povo na sua célebre expressão popular “ é Carnaval e ninguém leva a mal”, aproveitemos por isso essa deixa para a habitual sátira até porque é a brincar que se dizem as verdades e disso sentimos também nós falta de quando em vez. Importante também não deixar “morrer” os “Assaltos de Carnaval” que têm vindo a cair em desuso e que é uma ocasião particularmente divertida que junta amigos e conhecidos à mesma mesa.

Não podia deixar de terminar porém sem uma palavra especial de apreço para todas as associações, instituições e pessoas particulares que através de um esforço imenso de superação e de uma capacidade de abnegação únicas abdicam do seu descanso e dos seus compromissos para nos brindarem com mais uma manifestação importante das nossas tradições e da qualidade que temos por cá. É importante para as crianças, para os turistas e para todos nós. Um bem hajam a todos.

José Paulo do Carmo