Nestas eleições que ganhe (também) a cultura

Que os candidatos que tiverem os objectivos mais nobres, os que mais se preocupem com as pessoas, os mais honestos, criativos e trabalhadores possam vencer

28 Set 2017 / 02:00 H.

No próximo fim de semana teremos eleições autárquicas e um pouco por todo o País se decidirá o caminho de cada cidade vila, aldeia, de cada concelho. Eu tenho para mim que hoje em dia , mais do que ideologias ou bandeiras políticas devemos votar nas pessoas em que acreditamos, porque é na transparência delas, na sua capacidade de trabalho, no seu legado intelectual, nas suas vontades e intenções, nos seus compromissos e honestidade que podemos e devemos apostar. Nisto da política local já aprendi que é no caracter, na personalidade e nas ideias que está a diferença e essa varia conforme as autarquias.

A mim preocupa-me especialmente a atenção que possam ter à cultura , esse constante parente pobre da política nacional. E não pode ela ser só importante na altura de conquistar votos. Independentemente dos candidatos. Ganhe quem ganhar. Tenho trabalhado com pessoas de vários quadrantes, em diversos países, desde Africanos, Sul-Americanos ou Europeus. Por cá já trabalhei com vários partidos, cores político-partidárias e com vários já tive experiências positivas e negativas e não me lembro de alguém se ter arrependido por ter feito semelhante aposta nesta área.

Não se pense que o que peço é tirar dinheiro aos cuidados de saúde ou dar menos condições à educação e às escolas. Isto não pode ser visto com um insípido “tira de um lado e mete do outro”. Aquilo que gostaria de ter era uma estratégia consolidada em Portugal que nos permitisse fazer mais com o mesmo e definir políticas culturais que nos permitam crescer enquanto sociedade. Investir bem o dinheiro em ideias, conceitos e conteúdos que valham a pena, que tenham significado , que nos aproximem uns dos outros e nos criem valor. Porque a cultura são as pessoas, é o conhecimento, são as diversas formas de arte e é a forma como nos relacionamos.

Quem vencer deve por isso dar condições aos que trabalham nesta área, aos que a desenvolvem e que a ela se dedicam de conseguirem executar o seu trabalho com qualidade até porque nesta área normalmente quem está, está por amor à causa muitas vezes com sacrifício e esforço pessoal e familiar. Apoiar e valorizar os que mais se destaquem, definir critérios e objectivos , mas não esquecer que é através dela que as sociedades se tornam robustas e equilibradas. O legado do passado construído no presente com projecção no futuro.

Desejo por isso que todos os que têm o seu direito de voto não deixem de o exercer. Que os candidatos melhores, os que tiverem os objectivos mais nobres, os que mais se preocupem com as pessoas, os mais honestos, criativos e trabalhadores possam vencer, seja de que partido forem. Estarão sempre mais próximos de perceber a importância deste fenómeno no Mundo e isso estará sempre intimamente relacionado também com melhores condições de vida e com um crescimento sustentado. Que ganhe a cultura e que as pessoas possam viver cada vez melhor.

José Paulo do Carmo
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