Nem sempre Raríssimas... Por vezes bem frequentes até ...

Talvez seja mesmo altura de repensarmos a forma como apoiamos algumas instituições ou de criarmos estruturas fiscalizadoras que não permitam que continuemos a assistir a esta pouca vergonha nem a muitas outras que andam por aí

14 Dez 2017 / 02:00 H.

Está definitivamente aberta a caixa de Pandora. ‘Acordámos’ todos neste mês de Dezembro com a triste notícia que envolve uma vez mais o poder político, desta vez incluindo altos cargos de instituições supostamente sem fins lucrativos e financiadas pelo Estado (ou seja, por todos nós). Se já é suficientemente grave e verdadeiramente lamentável o uso e o abuso do Erário Público a que temos assistido impávidos e serenos (diga-se de passagem) eis chegados ao ponto do fartar vilanagem da completa falta de vergonha e de carácter do nojo que é o uso de uma instituição que tem como finalidade o nobre apoio a cidadãos com doenças menos comuns para enriquecimento próprio para se pavonearem com carros e roupas e para alimentar essa teia de interesses enchendo mais uma vez a barriga aos mesmos.

E o que vem dizer uma Sr.ª deputada sobre o assunto? “É tempo de aprendermos a lição”! E nós aprendemos Sr.ª deputada , neste particular somos muito bons alunos. Aprendemos esta, a dos Bancos, dos Incêndios e muitas mais. Às vezes ainda rosnamos para o lado e vociferamos uma crítica mas a caravana vai passando inundada de pessoas mal formadas de corrupção e roubos desmesurados. É o “coça para dentro”, já dizia o Povo. E nós o que fazemos? Nada. Felizmente foi desmascarado este caso. Estou em crer que foi aberta a caixa de Pandora e muitas mais denúncias surgirão nos próximos tempos. É bom que comecemos a dar uma lição a estes monstros para ver se são tão bons alunos como nós. É que nos próximos tempos preparem-se, vão aparecer novos casos, pessoas conhecidas e grandes instituições envolvidas. Não me venham depois falar em cabalas nem que “ele é tão boa pessoa, é impossível ter feito isto”. Está na altura de abrirmos os olhos e fecharmos os bolsos. É que vamos perceber que nem sempre “Raríssimas “ foram estas pessoas nem este tipo de atitudes.

Há, no entanto, algo mais importante do que todos estes escroques e as suas tropelias. São as instituições que nos merecem todo o respeito, são os mais novos e os indefesos, os doentes e os solitários, os idosos ou os abandonados. Não podemos nunca misturar, temos que saber cada vez mais separar o trigo do joio e não prejudicar estes inocentes por tudo isto. Talvez seja mesmo altura de repensarmos a forma como apoiamos algumas instituições ou de criarmos estruturas fiscalizadoras que não permitam que continuemos a assistir a esta pouca vergonha nem a muitas outras que andam por aí. A conivência entre diversas instituições que tem permitido por exemplo à Igreja Universal do Reino de Deus comprar tudo e todos incluído crianças têm que terminar e nós temos mesmo que agir. Basta de lições, chega de acharmos ‘normal’, e porque não é connosco, assobiarmos para o lado.

É tão fácil chegarmos ao café e comentarmos com os amigos que mal dormimos esta noite por causa de todos estes casos. Acabamos no entanto por nada fazer. Continuam a existir muitas instituições, muitas crianças e idosos que merecem o nosso total empenho e apoio. A própria “Raríssimas “ tem que ser apoiada mas com gente de bem à frente dela. Não nos podemos imiscuir de ajudar os que mais precisam só porque esses ladrões sem vergonha passam por cima de princípios básicos. Talvez o nosso apoio tenha que passar a ser de maior proximidade , interessarmo-nos pelas próprias instituições e fazendo parte delas sem segundas intenções. Apoiar de facto quem mais precisa. Quanto mais pessoas de bem estiverem à volta delas mais difícil será este tipo de cenários se tornarem moda. Ainda me custa a digerir o que vi , o que ouvi e o que li. É mau demais. Batemos mesmo no fundo... Chega de lições.

José Paulo do Carmo
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