Independência de estilo

O que não vale a pena é cada vez que escrevo um texto aqui no DN enviarem-me mails com nomes fictícios a acusar-me de estar a fazer o serviço para A, B ou C

17 Mai 2018 / 02:00 H.

Existe uma formatação tão portuguesa que diz que ou estás de um lado ou de outro e se criticas alguma coisa de um lado é porque estás “ a mando” dos outros. Isto não funciona assim. Por muito que certos caciques, trauliteiros e culambistas não tenham visão para mais ainda não são eles que ditam as regras. Agora só há duas formas de sermos intelectualmente honestos a respeito de todo o tipo de assuntos. É o de assumirmos ao que vamos no que se denomina recorrentemente por “declaração de interesses”.

O que não vale a pena é cada vez que escrevo um texto aqui no DN enviarem-me mails com nomes fictícios a acusar-me de estar a fazer o serviço para A, B ou C na tentativa já gasta de me tentarem condicionar ou de diminuir o que escrevo colando-me a determinadas facções. Quem me conhece sabe muito bem que eu apoio pessoas, projectos e ações e muito pouco bandeiras ou projectos de intenções. E também não sou dos que gosta apenas de criticar , tenho até muito mais prazer em elogiar. Não vou é deixar nunca de o fazer quando achar pertinente, porque não me escondo não fujo nem me entrego. Não devo nada a ninguém nem estou condicionado por acordos secretos ou estratégias paralelas. E só assim sinto que possa ter algo a acrescentar quando partilho as minhas opiniões com quem me dá o prazer de ler.

Acho que é nossa função enquanto cidadãos , preocuparmo-nos com o que se passa à nossa volta mas não precisamos de ter agendas políticas para o fazermos, existe por aí muito boa gente que tem algo para dizer mas por vezes não diz por achar que vai ter problemas. Não me parece que tenha de ser assim. Agora é importante não nos subjugarmos perante certos sabujos das redes sociais que não conseguem tirar “as palas” dos olhos sem o papel inquisidor a mando dos chefes como forma de auto promoção , à espera de uma qualquer migalha que os deixe nas boas graças.

E é essa a única forma de estar em sociedade. Não podemos elogiar sempre que são os “nossos” a fazer e criticar a mesmíssima coisa quando é sugerida pelos outros. Para fanatismos já bem basta o futebol com os resultados conhecidos. A nossa consciência critica tem que começar em nós próprios numa avaliação honesta e frontal. E para que a nossa “voz” seja credível temos que saber reconhecer que seja em que área for existem posturas boas e más porque elas refletem pessoas e personalidades e isso varia sempre de um para o outro sem ter que significar a imagem de uma qualquer bandeira.

A maturidade de uma sociedade também se demonstra na independência de estilo. Deixarmos de ser seguidistas e carneiros , aplaudirmos quem merece seja de que lado da barricada for. A nossa integridade depende da forma ética como transportamos as nossas atitudes e as palavras que nos caracterizam. Defendermos as nossas convicções e os nossos princípios tem que ser o primeiro passo para abrirmos espaço a que os outros também tenham mérito . Só assim, tenhamos um lado ou sejamos independentes poderemos algum dia ser respeitados.

José Paulo do Carmo
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