Ilhas afortunadas

No passado, madeirenses e canarinos já estiveram mais próximos e as relações económicas e sociais já foram muito mais intensas do que nos tempos que correm.

30 Set 2017 / 02:00 H.

Os arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde integram um espaço económico e cultural a que se convencionou chamar da Macaronésia (do grego “ilhas afortunadas”), atendendo à proximidade geográfica, às características comuns, à identidade atlântica e aos laços históricos que os unem desde o povoamento. São 28 ilhas habitadas com 3 milhões de habitantes e com comunidades emigrantes de grande dimensão espalhadas por todo o mundo.

A oficialização política desta Região da Macaronésia foi feita pelos Estados de Portugal, Espanha e Cabo Verde, a 12 de setembro de 2010, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente. A Declaração Conjunta, subscrita também pelos Governos Regionais, considera “de grande interesse, enquanto arquipélagos, promover uma abordagem comum especifica para desafios globais, como sejam a política energética, a política marítima, a política de transportes e comunicações, a segurança humana e a luta contra a criminalidade transfronteiriça , as alterações climáticas e a política de preservação do meio ambiente , a política de turismo e a utilização alargada das tecnologias de informação”. O “Tratado” determina que “...a formação profissional, o ensino superior, a promoção e partilha do saber e do conhecimento, bem como o intercâmbio cultural, terão um lugar relevante nas ações que no futuro serão empreendidas” e na área económica afirma o compromisso de trabalhar para um melhor ambiente de negócios e para um aumento das trocas comerciais, aproveitando, também, as oportunidades geradas pela pertença das regiões portuguesas à União Europeia e de Cabo Verde à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). A Declaração fixou uma Cimeira dos Arquipélagos da Macaronésia com periodicidade bienal.

A institucionalização deste espaço insular foi impulsionada pela Parceria Estratégica que tinha sido assinada entre a União Europeia e Cabo Verde, em 2008. Infelizmente, esta ambição de ir mais longe, muito mais longe, no relacionamento entre as ilhas, ficou muito aquém dos propósitos, pese embora o mar de oportunidades que existem. Basta lembrar que não se conhece a realização de qualquer Cimeira desde a sua criação. Vai valendo a execução do PROMAC 3, um Programa da União Europeia, que tem cerca de meia centena de projetos em execução entre as regiões portuguesas e espanholas e Cabo Verde, Senegal e Mauritânia, envolvendo Universidades, Câmaras de Comércio, instituições da sociedade, autarquias e departamentos governamentais. Sublinhe-se o investimento que alguns grupos económicos madeirenses e canarinos têm vindo a efetuar em Cabo Verde com assinalável êxito, dado que este é um país em franco crescimento e o arquipélago que oferece melhores oportunidades, sobretudo nas áreas do turismo, transportes, energia e agricultura e pescas. Mas muito mais poderia ser feito quer a nível multilateral quer bilateral. Enquanto Canárias tem apostado forte em Cabo Verde, investindo no turismo e noutros setores estratégicos, mantendo ligações aéreas regulares com este Estado, a Madeira peca por não desenvolver mais as relações com um país que oferece bons nichos de negócio e é uma porta de entrada de capitais europeus, americanos e asiáticos para investimentos em África. Como é evidente, a ausência de transportes regulares - sempre a mesma questão - entre a Madeira e Cabo Verde dificulta o intercâmbio económico. Também é certo que apesar de termos razoáveis ligações com os Açores e com as Canárias, esse fator não tem contribuído para um significativo incremento das trocas comerciais entre as ilhas portuguesas e espanholas. No passado, madeirenses e canarinos já estiveram mais próximos e as relações económicas e sociais já foram muito mais intensas do que nos tempos que correm. E preciso estudar as razões desta situação e tomar as medidas necessárias a um impulso no relacionamento entre estas regiões, pois os seus cidadãos têm muito a aprender e a ganhar uns com os outros. Os 4 arquipélagos têm uma identidade ambiental comum, economias complementares e uma maior integração das suas comunidades poderia conduzir à criação de um espaço atlântico de desenvolvimento e progresso, com peso estratégico e político no quadro da Unesco, da União Europeia e da Aliança Atlântica. Para isso tem que existir mais vontade política, mas sobretudo decisão política para se poder passar das declarações de intenções à prática, ultrapassando os constrangimentos que impedem um maior relacionamento institucional, obstaculizam a vida das empresas e travam o investimento privado. Há muito para fazer na aproximação entre os povos insulares, seja na área política- económica seja no social-cultural. Assim haja visão e estratégia para aproveitar todas as potencialidades deste nosso espaço atlântico.

Escolhas

Quem?

ISAL. Aplausos para a criação do Laboratório de Investigação Científica, pois precisamos de aperfeiçoar continuamente as nossas qualificações.

O quê?

O projeto da Escola Padre Manuel Álvares da Ribeira Brava e dos Museus Etnográfico e da Eletricidade para carregar telemóveis e outros dispositivos ao longo das Levadas. Inovação precisa-se.

Onde?

Quinta das Cruzes, esta tarde, mais um episódio do Era uma Vez no Atlântico, o II Festival Internacional de Contos da Madeira.

Quando?

Esta tarde e noite, o final do Festival do Avesso na Ponta do Sol, um bom exemplo de como a cultura pode ser um acontecimento fora dos grandes centros.

Porquê?

Os preços das viagens na TAP entre o Funchal e Lisboa continuam incomportáveis para muitos madeirenses. Porque é que o Estado, como acionista, não intervêm?

Como?

Os madeirenses vivem mais tempo, mas são de entre os portugueses quem vive menos. Para além disso, estamos a ficar obesos. Vamos lá a fazer exercício, começando por ir votar amanhã.

José Manuel Rodrigues Deputado do CDS na ALM
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